SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 6

América do Sul, Brasil,
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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Não é novo o programa econômico da candidatura de Marina Silva

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Na semana passada, acenei com a afirmativa de que a candidatura de Marina Silva não tem nada de “nova política”. Disse as razões daquele pensamento. São várias. Agora, quero focar nas questões econômicas, com um viés sociológico. Pensar algumas relações e refletir os motivos que fortalecem a preocupação com esse tema num possível governo da candidata do PSB/Rede.

Não defendo a economia como o determinante da vida social, ainda que, confesso, ter emprego e comida na mesa me pareça o alicerce de algum bem-estar. Corroboro a tese de que os conflitos entre capital e trabalho, no capitalismo globalizado, permanecem decisivos e influenciam diretamente na vida das pessoas. No entanto, uma ruptura com o sistema acarretaria, tudo indica, uma elevação exponencial da violência que é difícil justificar e propor como programa político viável. No dia a dia, o real é a condução da economia capitalista, numa relação constante entre sociedade, Estado e mercado. Daí vem os objetos com os quais interagimos ou consumimos, os serviços e direitos que utilizamos. Gostemos ou não.

Desde a crise do final da década passada, o receituário dos economistas do establishment – em geral liberais de diferentes gradações – sustenta a austeridade fiscal a todo custo. Na Europa, o discurso implica em facilitações para os mercados, que devem ser incentivados a todo custo. Esse “a todo custo”, significa, na prática, a implosão maciça da estrutura de direitos sociais construída durante o século vinte naquele continente. Taxas gigantescas de desemprego, demissões em muitos setores do Estado, maior liberalização das transações financeiras e outros “detalhes” colocam o cidadão médio, trabalhador, numa situação de instabilidade e subserviência ao conservar o pouco que tem e, ao mesmo tempo, os protestos estão frequentes e incisivos (1).

Aqui no Brasil, o governo do PT manteve-se firme na defesa do emprego e do protagonismo do Estado (2). Um Estado com um sem-número de problemas, que vão dos desrespeitos flagrantes aos direitos humanos, passam pela degradação consolidada dos recursos naturais e chegam a múltiplos outros pontos. Um Estado conservador e excludente, reprodutor das desigualdades multidimensionais. Ocorre que esse Estado tem raízes longas e entrecruzadas, fortalecidas num terreno originado da exploração colonial e do escravismo. Não começou ontem. Hoje, com esse universo comunicativo infindável, essas raízes parecem de ponta a cabeça, expostas numa inversão que traz à tona opressões e lamúrias pesadas e que tem o mérito de levar essas pautas ao debate público. Resta qualificá-lo.

Desse Estado banguela, projetos entusiasmados como os de Marina Silva, na área da economia política, querem fazer um cenário de distanciamento do Banco Central. Com rapidez, diz o programa de governo, a autoridade monetária deve ser regida diretamente por operadores do mercado financeiro (3). Aqueles que possuem os principais privilégios na sociedade brasileira estarão ainda mais liberados para concretizar as suas políticas, o que me faz pensar que os seus interesses econômicos, ao divergirem dos interesses das classes populares, podem e irão, se necessário, subverter a lógica do emprego e renda existente na atualidade. Em outras palavras, demitir pode voltar a ser uma pauta legítima e justificada pela autoridade monetária alheia aos interesses do Estado que é, em parte, escolhido nos processos eleitorais.

Teria que avançar mais para analisar o pessimismo sobre a economia neste momento. De passagem, cito economistas experientes que afirmam que a aposta numa recuperação não é absurda no médio prazo, sobretudo a partir dos investimentos em infraestrutura – muitos já licitados. Sempre com emprego e renda. Os desafios são grandes, mas Paul Krugman (4), Maria da Conceição Tavares (5), Marcio Pochmann (6) e, inclusive, Delfim Netto (que arrolo meio a contragosto) sugerem que é possível (7). São economistas que, na administração do mundo capitalista, se aproximam mais daquilo que acredito, agora, representar algum enfrentamento pró-trabalho na relação com o capital. Eles podem até negar isso, mas eu os vejo assim. Distantes do espectro que ronda a equipe de Marina Silva. Nessa relação o consenso é utopia.

As desigualdades diminuíram no Brasil. Os índices de bem-estar só aumentam. No mundo, Thomas Piketty sentencia que a taxa de rendimento do capital é alarmantemente maior do que o crescimento econômico (8). Exacerbam-se as desigualdades com o aval dos mercados. Os dados brasileiros contradizem o arcabouço da política econômica proposta pela equipe de Marina Silva que, além de insistir em fórmulas semelhantes a períodos anteriores, mais sofridos, aponta para uma reorientação também da economia nas relações internacionais. Mais enfoque nos Estados Unidos e nos países desenvolvidos. O Banco dos BRICS, pelo contrário, dá sinal de que o tratamento do FMI e do Banco Mundial aos países em desenvolvimento não mais nos contempla, e o protagonismo das potências emergentes pede iluminação (9). O debate sobre os padrões democráticos de países como China e Rússia é fundamental e imperativo, mas não menos do que os mesmos debates em países como os Estados Unidos ou blocos como a União Europeia, bem como o próprio Brasil. Não há santos nesse altar, mas a política de cooperação sul-sul e entre emergentes me parece equilibrar melhor o quadro geopolítico.

O cidadão médio brasileiro, eu, tu ou o vizinho, que sai pra trabalhar todos os dias, que anda de ônibus, de bicicleta ou a pé e enfrenta as tretas impiedosas das ruas, sente que ter emprego é um pontapé de partida. Emprego e alguma renda, com inflação nada absurda e oferta de crédito razoável, em conjunto com as políticas sociais, deriva em comida na mesa e perspectivas para as classes populares. Não são as perspectivas perfeitas e estão muito longe disso. Muito longe. Mas são perspectivas. Não me venham partilhar os seus sonhos à custa daqueles que mais precisam. A não ser que se entenda que o desemprego faz bem para a competição entre humanos, tais perspectivas são perspectivas melhores do que a inexistência ou o recrudescimento delas. Delfim Netto lembra, com propriedade, que estar perto do pleno emprego é algo fantástico que estamos deixando de levar em consideração, é uma vantagem extraordinária: temos emprego para a nossa gente (10).

É preciso enfrentar o fato de que o avanço da indústria naval e automobilística, em paralelo a outros setores, traz prejuízos graves e sérios a grupos étnicos e ao meio ambiente. Deve-se fazer a crítica veemente e propor alternativas sustentáveis, que incluem matrizes energéticas alternativas. Concordo com Marina nesse ponto. Porém, a política econômica não pode se jogar para o mercado financeiro com ainda mais baixas restrições achando que ele cuidará da natureza e proverá a sustentabilidade (definição em aberto) simplesmente porque a candidata da vez tem um histórico (questionado por alguns devido a sua ligação com grandes ONG’s ambientais) de protagonismo nesse campo (11). Os sedimentos da política econômica me parecem anteceder as prerrogativas teóricas voláteis como às da sustentabilidade. A moral dos mercados e do Estado no capitalismo não é verde.

Por fim, à medida que não ofereço ou prego uma ruptura violenta, das maneiras de administrar o capital e suas relações com o Estado e a sociedade, não surgem e não surgirão novas políticas. Simplesmente. Dessas aí, que pouco me contemplam, uma que entregava ao setor financeiro o equivalente a 14,2% do PIB (2002, estilo Giannetti e Lara Resende) e outra que, no ano passado, repassou 5,7% do PIB para os mais dominantes (12), tendo a optar pela segunda. Sem nenhuma grande satisfação, ressalto. Mas sem retrocesso. Só a história mostrará o caminho certeiro. Ou nem ela.

Referências:

(1) http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,desigualdade-social-avanca-na-europa-e-austeridade-fiscal-pode-elevar-pobreza-imp-,1031940

(2) http://www.cartacapital.com.br/revista/806/vantagem-extraordinaria-6124.html

(3) http://marinasilva.org.br/programa/

(4) http://oglobo.globo.com/economia/brasil-ja-nao-tao-vulneravel-como-no-passado-afirma-paul-krugman-11910607

(5) http://oglobo.globo.com/economia/maria-da-conceicao-tavares-ninguem-come-pib-come-alimentos-11973782

(6) http://www.brasil247.com/pt/247/economia/131886/Pochmann-Brasil-est%C3%A1-em-rota-de-ascens%C3%A3o.htm

(7) http://www.cartacapital.com.br/revista/806/vantagem-extraordinaria-6124.html

(8) http://www.ihu.unisinos.br/noticias/534767-a-dinamica-implacavel-da-desigualdade

(9) http://www.cartacapital.com.br/revista/808/o-banco-dos-brics-2173.html

(10) http://www.cartacapital.com.br/revista/811/disparates-e-eleicao-3110.html

(11) http://g1.globo.com/ac/acre/eleicoes/2014/noticia/2014/08/sindicato-rebate-declaracoes-de-marina-silva-sobre-chico-mendes.html

(12) http://www.redebrasilatual.com.br/eleicoes-2014/pochmann-diz-que-proposta-de-marina-e-aecio-para-banco-central-prejudica-democracia-5845.html

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domingo, 31 de agosto de 2014

O intrigante apoio à Marina Silva

Por Gregório Grisa*
Pedagogo e Professor

Intelectuais que respeito e admiro profundamente me intrigam ao apoiar Marina para presidência. Eles formam um coletivo próximo, ligados aos direitos humanos, com visão progressista sobre costumes, economia, papel do Estado e democracia. Me intriga no sentido de que o diagnóstico que fazem do governo petista, que é preciso e com o qual tenho grandes concordâncias, não combina com aceitar honestamente Marina como uma alternativa mais progressista ou de esquerda.

Me intriga porque a capacidade ímpar que esses intelectuais tem de fazer a acurada análise do atual governo, não é a mesma usada para explicar sua "crença" em Marina como possibilidade. O que esse coletivo tem em comum, me parece, é que encontrou em Marina a chance de promover dois movimentos:

1- O primeiro é fazer o debate com a esquerda de oposição sem estar dentro dela, esses intelectuais admiram o PSOL, em alguma medida o PSTU e quadros do PCB, mas não vislumbram nesses partidos possibilidade de vitória eleitoral e não são adeptos a "radicalidade" e estrutura desses partidos. Encontram na personalidade e biografia de Marina uma pseudoneutralidade, lugar para falar com autoridade. Pessoalmente a pureza de Marina é usada como qualidade do projeto que ela representa, é claro que esses intelectuais, muito mais capazes que eu, sabem que a atual composição da candidatura de Marina não representa melhoria, pelo contrário, abre precedente para um governo de coalizão mais conservador com forte participação da direita e manutenção do "pemedebismo" (conceito cunhado por Marcos Nobre) como modus operandi na relação com o congresso.

2 - o segundo movimento, em alguma medida, explica a posição desses intelectuais. Esse grupo tem uma relação íntima de repulsa freudiana com o PT, fizeram parte do partido, do poder, da gestão em alguns casos e, em função das disputas internas, não conseguiram levar adiante seus projetos pessoais e de sociedade que são de vanguarda e relevantes. Então, legitimamente, buscam alternativas para voltar a dar sua contribuição na esfera estatal como promotor de políticas públicas e encontraram na relação pessoal com Marina uma via para efetivar esse objetivo.

Com um discurso muito bem costurado, esse grupo de intelectuais progressistas rebate as críticas à complicada filiação religiosa de Marina, com um malabarismo libertário e não questiona a gravidade das lacunas contidas em Marina quando do debate sobre a descriminalização do aborto, da regulamentação das drogas, a legalização do casamento homoafetivo que inclusive são bandeiras centrais desses intelectuais.

No que tange o debate econômico Marina também não se posiciona, como ficou claro no debate da Bandeirantes, sua tentativa de reconhecer medidas de governos neoliberais e petistas se configura em uma estratégia de marketing mais do que uma convicção. Há uma clara tentativa de construir um discurso conciliador genérico em busca de votos dos "equilibrados".

Visando passar uma imagem de futura estadista ponderada, roupagem palatável para a mídia, empresários e banqueiros, Marina fala em independência do Banco Central e governo dos bons, dos de bem, sem realmente romper com nenhum interesse dos setores hegemônicos. Essa não ruptura que é fortemente criticada por esses intelectuais, com razão, quando se trata do governo do PT.

Se Marcos Rolim, Luis Eduardo Soares, exemplos de intelectuais que estou me referindo, realmente vislumbram em Marina uma alternativa progressista para o Brasil, tenho bem mais divergências políticas com eles do que imaginava, isso me intriga porque os tenho como referência intelectual.

Com esse breve texto não pretendo fazer uma defesa do governo do PT, pelo contrário, penso que muito mais poderia ser feito, e que esses avanços não passam por Marina, o projeto que ela ora protagoniza representa um dificultador para essas conquistas.

As alternativas eleitoras são condicionadas pelas máquinas de financiamento privado de campanha, pelo desigual tempo de Tv, pela indústria das pesquisas, os candidatos que eu escolheria não estão na disputa. Entretanto, em um possível segundo turno, tenho clareza que a vitória de Dilma, dentro das possibilidades, é o melhor cenário.

* Reproduzido do blog Augere:  http://lounge.obviousmag.org/augere/2014/08/o-intrigante-apoio-a-marina.html.

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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Lançamento do livro “A formação docente em Ciências Sociais”


Em meio ao IX Seminário Institucional do PIBID UFRGS, no dia 22 de agosto de 2014, ocorreu o lançamento do livro A formação docente em Cîências Sociais: as experiências do PIBID e do Estágio de Docência, organizado pelas Professoras Doutoras Maria Lúcia Moritz e Roseli Inês Hickmann. O material, editado pela Oikos, congrega textos dasImagem reproduzida do site http://oikoseditora.com.br/new/obra/index/id/500 então coordenadoras do PIBID Ciências Sociais UFRGS (em 2013), das coordenadoras dos Estágios de Docência em Ciências Sociais da UFRGS, dos supervisores do PIBID na Escola Técnica Estadual Ernesto Dornelles e no Colégio Estadual Padre Réus, além de escritos dos bolsistas do PIBID das duas escolas e dos estagiários da UFRGS. O livro pode ser adquiro pelo site da editora. Abaixo consta o sumário da publicação.

Parte I – Pibid-Ciências Sociais e seu mosaico de experiências

A produção da docência em Sociologia no Ensino Médio: sobre a experiência do PIBID (Roseli Inês Hickmann e Maria Lúcia Moritz)

Qual Sociologia construir no Ensino Médio? Pensando o fazer prático numa perspectiva aberta, múltipla e diversa (Bernardo Caprara, Marco Plá e Guilherme Rodrigues)

Democratizando as formas de conhecer o mundo (Bruna Molina Leal, Guilherme Soares e Marcela Donini de Lemos)

Políticas de Educação, Sociologia no Ensino Médio e Avaliação (Gabriel Arnt, Gustavo Silveira e Murilo Gelain Gonçalves)

Oficina Interdisciplinar: “Antes que a Zona Sul Acabe” (Marcos Machado Duarte)

Parte II – As experiências dos estagiários na Escola

O ofício de professor de Sociologia e as experiências de estagiários na escola (Rosimeri Aquino da Silva e Célia Elizabete Caregnato)

Números sobre a desigualdade educacional brasileira (Alan da Rosa)

A Leitura no processo de aprendizagem em Sociologia (Felipe Madeira)

Prática pedagógica em Direitos Humanos na formação de professores/as (Lúcia Flesch)

Pensando o ensino de Sociologia a partir do estágio docente em Ciências Sociais (Stefan Hubert)

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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Marina Silva: nova política?

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Uma pergunta sacode as eleições que vêm aí: Marina Silva representa uma alternativa real de transformação? Um novo jeito de fazer política? Não tenho respostas, mas vou arriscar algumas considerações, com base em aspectos relacionados à política econômica e a alguns temas existenciais polêmicos.

Sob o prisma da política econômica, Marina pouco se pronunciou até o momento. Porém, é sabido que a respeitável candidata mantém fortes relações intelectuais com Eduardo Giannetti da Fonseca, economista e cientista social de orientação liberal. Ele tem proferido teses que apontam para um enxugamento do Estado e para a manutenção ferrenha do “tripé” superávit primário, câmbio flutuante e regime de metas de inflação. Nessa linha, prega um governo menos estatista e mais suscetível aos mercados, através de uma contundente austeridade fiscal, mesmo que isso acarrete aumento do desemprego e diminuição do consumo das classes populares (1). Sabe-se, também, que Marina tem em Maria Alice Setúbal, herdeira do Banco Itaú, uma articuladora central do seu partido (Rede Sustentabilidade) e das suas concepções em economia (2).

No que tange aos tópicos existenciais polêmicos, como casamento homoafetivo, aborto, drogas ou pesquisas com células-tronco, Marina não se distingue em nada da política tradicional. Não se posiciona efusivamente de maneira distinta aos demais participantes, ou seja, reluta em avançar nessas pautas (3). Deve-se dizer, contudo, que a candidata do PSB tem uma visão muito interessante sobre meio ambiente e minorias no campo. Nesse ponto, Marina tinha tudo para se mostrar uma alternativa, uma novidade política. Porém, quando avalizou Beto Albuquerque como seu possível vice, avalizou a presença de um dos grandes conectores do agronegócio no parlamento nacional (4). Do ponto de vista pragmático, para vencer o pleito, parece uma boa cartada. Só que retira qualquer elemento de novidade no espectro ambiental.

Em termos estritamente políticos, não menos importantes, se Marina se propõe a porta-voz de uma nova política, por que aderiu ao PSB, um partido que de novo nada exibe? Uma nova política é necessariamente imediatista e institucional? Não poderia ser constituída nas ruas, pelas ruas, até que, enfim, galgasse postos institucionais?

A partir dos motivos acima, não vejo Marina Silva como uma alternativa real de transformação, tampouco de fomento a uma nova política. Suas cartas estão no jogo há muito tempo. Posso estar equivocado. Só o futuro poderá dizer.

Notas:

(1) http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/10/1359699-marina-silva-faria-governo-menos-estatizante-que-dilma-diz-eduardo-giannetti.shtml.
(2)
http://oglobo.globo.com/brasil/a-fada-madrinha-de-marina-silva-8631231.
(3)
http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/eleicoes-2014/noticia/2014/08/da-religiao-a-politica-economica-o-que-pensa-marina-silva-4578448.html.
(4)
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/quem-e-beto-albuquerque-o-vice-de-marina-silva.

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