SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
PÁGINA INICIAL LEIA ANTES! SOBRE O EDITOR TEXTOS DO EDITOR BIBLIOTECA MATERIAIS DE AULAS

sábado, 26 de janeiro de 2013

Norbert Elias e o processo civilizador


O intelectual alemão Norbert Elias (saiba mais) transita por diversas áreas das ciências humanas e sociais. Pelo menos na história e na sociologia, seu espaço está garantido como um dos principais pensadores do século 20. Muitas das suas obras marcaram o pensamento social contemporâneo, mas foram, sobretudo, os dois volumes denominados “O processo civilizador” que deram um destaque bastante abrangente ao autor. Abaixo encontra-se uma resenha Norbert Elias [Imagem retirada do sítio http://politikon.fr/wp-content/uploads/2012/12/norbert-elias.jpg]sobre o primeiro dos dois livros, cuja elaboração foi realizada em conjunto por Bernardo Caprara e Janine Prandini Silveira.

Nem sempre garfos foram utilizados à mesa na sociedade ocidental. O lenço difundiu-se com vasta abrangência pelos estratos da sociedade somente por volta do século XVIII. Até então, como os indivíduos faziam para limpar bocas e narizes? E como eram suas condutas à mesa? Dessas e outras questões aparentemente irrelevantes, o sociólogo alemão Norbert Elias consegue extrair sentido ao abordá-las sob um enfoque analítico longitudinal, isto é, procurando o sentido das minúcias dos hábitos cotidianos da civilização ocidental no curso da história. O problema de que trata Elias em “O processo civilizador”, cuja primeira edição data de 1939, parte da percepção de que os indivíduos ocidentais nem sempre se comportaram da maneira que chamamos de “civilizada”. Por que aconteceu essa transformação nas condutas dos seres humanos? O que versa esse tal processo civilizador? Como ele acontece? Nesse livro, Elias nos fornece algumas respostas a essas questões.

.
Continuar leitura…

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Um cemitério de latas

Bernardo Caprara
Sociólogo e Jornalista

O sol brilhava e esquentava o dia. Estava lá para apoiar uma pessoa que conhecia havia pouco tempo, mas dera tantos sinais de que merecia a ajuda, que ele tinha certeza que fazia a coisa certa. Em meio a muito pó, o depósito de veículos do governo estadual tinha um aspecto deteriorado. A missão era tirar o carro dali.

O automóvel estava legalmente no seu nome, mas há muito já não lhe pertencia. No decorrer do processo de transferência aconteceu o furto, fato que o fez parar lá, no local que mais parecia um cemitério de latas. Passaram ambos por uma porta enferrujada, sob a ordem de que apenas um poderia entrar. Tudo funcionava estranhamente. Entraram os dois. Chegaram ao carro e, então, as previsões se tornaram realidade: sobraram somente a carcaça e o motor fabricado nos idos de 1989.

Observaram atônitos, banhados pela quentura solar dos tristes trópicos. Atrás do banco do motorista, duas ferramentas atiradas davam os tons do prejuízo que o rapaz que ele fora auxiliar teria pela frente. Só que representavam mais do que isso. Representavam a desconfiança de que o ganancioso sistema de crimes, corrupções e ilegalidades envolvendo veículos automotores estava ali, evidenciado diante deles. Funcionários do depósito depenam ao máximo o fruto do desejo alheio, enquanto os dois (!) trabalhadores da perícia atendem ao enorme número de ocorrências diárias em toda a capital. Depois liberam o carro. A cena está pronta. E assim essa espécie de “máfia” segue ferindo o sonho dos outros.

Ele se foi, suado, pensando nos detalhes que fizeram com que o ideário da razão iluminista (igualdade, liberdade e fraternidade) perdesse o embate para a “mão direita” da modernidade. O núcleo duro das relações econômicas capitalistas, da procura incessante pelo lucro, do culto ao indivíduo que produziu seu sucesso sozinho, elementos que parecem vencer as belezas das utopias da humanidade. O final, este a gente ainda desconhece. O final desta historieta, entretanto, tem um gosto amargo indescritível.

.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Desprovincializando a sociologia?


Os debates que giram em torno das possibilidades de lugares híbridos de enunciação científica, de alguma forma agrupados nas perspectivas pós-coloniais, trazem grandes polêmicas e enfrentamentos nas ciências humanas e sociais. O professor de sociologia da Universidade Livre de Berlim, Sérgio Costa (saiba mais),  apresenta um artigo bastante interessante refletindo sobre a temática. A publicação está disponível no SciELO (através da Revista BrasiImagem reproduzida do sítio http://www.cies.iscte.pt/destaques/nl.jsp?n=247leira de Ciências Sociais) e os caminhos para acessá-la estão arrolados abaixo.

Este ensaio discute as contribuições dos estudos pós-coloniais para a renovação das teorias sociais contemporânea. Considera-se, em primeiro lugar, o caráter da crítica que os estudos pós-coloniais endereçam às ciências sociais. Em seguida, discutem-se as alternativas epistemológicas que apresentam, considerando-se três concepções-chave – modernidade entrelaçada, lugar de enunciação "híbrido", sujeito descentrado. A conclusão é que, a despeito de sua contundência e da suspeita de alguns autores de que a teoria pós-colonial implode a base epistemológica das ciências sociais, boa parte da crítica pós-colonial tem como destinatário a teoria da modernização. Neste ponto, apresenta afinidades com objeções trazidas por cientistas sociais que nada têm a ver com o pós-colonialismo. Outros aspectos levantados pelos estudos pós-coloniais não desestabilizam, necessariamente, as ciências sociais, podendo mesmo enriquecê-las.

.
Continuar leitura…