SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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sexta-feira, 8 de março de 2013

A necessária radicalidade do feminismo


Bernardo Caprara
Sociólogo e Jornalista

Aos machistas de plantão; à Prefeitura desta cidade; à Comissão de Direitos Humanos (?!) da Câmara dos Deputados; às mulheres que enfrentam os obstáculos e batalham pelo fim da opressão; aos homens que tentam pensar e agir longe dos vícios do papel de dominantes: a radicalidade do feminismo é uma atitude para ontem.

Neste oito de março, não precisa ir muito longe para perceber que são gritantes muitas das diferenças que insistem em se reproduzir nas sociedades contemporâneas, entre homens e mulheres. A violência contra a mulher é física e simbólica. Vigora em comentários, atitudes, pensamentos e na própria “filosofia” implícita na falácia de que a mulher é o sexo frágil – definição desprovida de  muitos critérios.

No auge da inversão do meu lugar de enunciação, coisa que só posso fazer discursivamente, pois não sou mulher, tento me colocar no lugar delas. Tento sentir o nojo que muitas delas sentem ao serem abordadas como se estivessem expostas num balcão de carnes. Tento compreender o que é se constituir como pessoa num contexto em que o corpo e a beleza feminina valem milhões, num cenário em que são tratadas como objetos. Continuo tentando. Tento ajudar no fim da dominação, mas não tento falar por elas.

Acho mesmo que se queremos direitos iguais, se queremos um mundo mais adequado para a sobrevivência da espécie humana, é uma obrigação cidadã defender o feminismo radical. Sinceramente, não posso crer que pessoas estudiosas ainda usem o termo “radicalismo” com o significado de “extremismo”. Radicalismo significa buscar as raízes, entrar de cabeça no debate, fugir da superficialidade tão degenerativa ao tecido social. O feminismo radical é o norte da luta pelos direitos femininos, pela libertação da mulher das amarras econômicas, políticas e também morais. É a sustentação de uma luta que está longe de acabar, que se mostra atual todos os dias.

Relativizando o machismo, rejeitando focar nas raízes dos fenômenos, não agimos com bom senso, mas colaboramos com a manutenção das coisas como elas estão. É justamente isso que o feminismo radical não aceita. Penso que com toda a razão.

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