SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Direitos humanos em mãos impróprias


A chegada de um pastor evangélico com indícios de práticas de racismo e homofobia ao cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados está anexada aos mais eloquentes debates. Muitos grupos sociais disparam contra este paradoxal cenário, no qual um posto de extrema importância para as minorias historicamente oprimidas caminha na contramão dos seusRenato Janine Ribeiro (Imagem reproduzida do sítio http://www12.senado.gov.br/noticias/banco-de-imagens/2012/09/20120917_00126lp.JPG). anseios. O Professor Titular de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo, Renato Janine Ribeiro (saiba mais), discorre sobre a temática nos escritos dispostos abaixo e publicados no Observatório da Imprensa.

Contra tudo e (quase) todos, o deputado Feliciano e seu Partido Social Cristão se aferram ao cargo mais alto a que chegaram, a presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. A situação é insustentável para o país, porém conveniente a ele e ao partido, até porque dificilmente obterão, um dia, outro posto dessa envergadura ou tanta repercussão na mídia.

O PSC, com seus 16 deputados federais e um senador, faz o seguinte cálculo: quer aumentar seus votos em 2014, valendo-se – paradoxalmente – da exposição num cargo que vai contra tudo em que o deputado crê. Falem mal de mim, mas falem: mesmo a mídia negativa ajudará a ganhar eleitores, numa franja inculta e preconceituosa da sociedade. Isso, mesmo sabendo que, ao pregar o que a opinião esclarecida repudia e que o Supremo Tribunal Federal descartou em vários julgados, o PSC inviabiliza sua presença no governo federal, atual ou futuro. Não se imagina que, no mandato a se iniciar em 2015, Dilma, Marina, Aécio ou Campos deem um ministério a um político dessa agremiação. Seria alto o custo de ter no primeiro escalão quem endossa a tese de que os negros descendem do filho amaldiçoado de Noé, e por isso merecem miséria, Aids e Ebola, ou de que a mulher deve obedecer sempre ao homem. Um custo, aliás, não só nacional – porque repercussão internacional negativa, se não houve, virá – até porque o deputado começou a gestão visitando a embaixada do Irã, país constantemente condenado por ações contrárias aos direitos humanos.

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