SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Somos seres sociais

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Ontem foi difícil dormir. Não porque as caras de incômodo do prefeito e dos privilegiados empresários do transporte coletivo martelassem na cabeça e trouxessem sorrisos satisfeitos. Mas, sobretudo, pelo fato de que o banho de chuva prolongado que milhares de pessoas tomaram pode ser capaz de renovar esperanças (saiba mais). A passagem baixou. Linda vitória, ainda que provisória. Porém, muitas outras derrotas permanecem ocorrendo dia após dia.

Penso que uma das maiores derrotas, cotidiana, diz respeito à mentalidade dominante do self made man. Uma espécie de “filosofia social” ou imaginário coletivo que aposta no indivíduo como o construtor/realizador da sua vida, por si só e sem ajudas. Falácia tão ingênua e, ao mesmo tempo, legitimada como se fosse natural do ser humano viver a sua vida sem dar a mínima para os outros. Antes que a modernidade e o capitalismo disseminassem os direitos do indivíduo, muitos deles importantíssimos, o filósofo grego Aristóteles nos lembrava de que o animal humano é, essencialmente, um ser social.

A junção das incontáveis vozes, das diferentes personalidades e dos variados interesses debaixo de uma insistente chuva impulsiona a esperança de virar a mesa contra o individualismo hegemônico. Sem querer forçar um coletivismo extremista, parece valioso retomar a noção de que dependemos uns dos outros. Óbvio: Aqueles que portam os principais privilégios usam e usarão todas as estratégias para não perdê-los, mesmo que isso vá minando a vida e confundindo a reflexão dos outros. Tudo indica que só com a união dos povos mais e mais vitórias virão.

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