SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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quarta-feira, 29 de maio de 2013

Darcy Ribeiro e as Sociedades Futuras


(…) Efetivamente, é provável que as Sociedades Futuras enfrentem seus maiores problemas no esforço por capacitar-se a utilizar seus poderes quase absolutos de programação da reprodução biológica do homem, de ordenação intencional da vida Darcy Ribeiro (Imagem reproduzida do sítio http://4.bp.blogspot.com/_VPsl4EAI754/TO2xK-KWHwI/AAAAAAAAETQ/neMDFUfA-m8/s1600/darcy_ribeiro_jpg.jpg)social, de condução do processo de conformação e regulamentação da personalidade humana e de intervenção sistemática nos corpos de valores que orientam a conduta pessoal. Todos esses poderes importarão, naturalmente, em  enormes riscos de despotismo, mas criarão possibilidades, maiores do que nunca, de libertar o homem de todas as formas de medo e opressão.

(…) Para tanto, (as Sociedades Futuras) terão de situar no centro das preocupações coletivas, como o valor mais alto, o cultivo e o estímulo ao livre desenvolvimento da personalidade humana, o incentivo a todas as formas de expressão da criatividade e a exploração de todas as potencialidades humanas de desenvolver formas de conduta solidária e socialmente responsável.

RIBEIRO, Darcy. O Processo Civilizatório: estudos de antropologia da civilização. Petrópolis: Vozes, 1979. Páginas 193/194.
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terça-feira, 28 de maio de 2013

Mia Couto e sua “Terra Sonâmbula”


O escritor moçambicano Mia Couto (saiba mais) é uma das melhores expressões da literatura contemporânea. Sem dúvidas, a fuga das análises eurocêntricas acerca das produções acadêmicas e artísticas abre a possibilidade de amplo conhecimento e apreensão de materiais interessantíssimos. É nesse contexto que o trabalho disponibilizado abaixo está situado. De autoria da Historiadora (UFRGS), Imagem reproduzida do sítio http://prefaciocultural.files.wordpress.com/2012/04/terra-sonambula_rep_300.jpgProfessora de História, Especialista em História da África (FAPA) e Mestranda em História Contemporânea (UFF), Raquel Braun Figueiró (saiba mais), os citados  ecritos versam e aprofundam o livro cujo nome é “Terra Sonâmbula”, do escritor africano Mia Couto.

A literatura é uma forma de expressão de um povo através da qual podemos entender as suas culturas e a sua história. Nesse sentido, o presente trabalho visa apontar algumas das principais problemáticas relativas às literaturas africanas de língua portuguesa da pós-independência. Num segundo momento, realizar-se-á uma análise do livro Terra Sonâmbula, do autor moçambicano Mia Couto. Nele estão duas histórias distintas que se unem através da leitura dos cadernos de Kindzu por Muidinga. Apenas ao final, entendemos não serem histórias tão distintas, uma vez que Muidinga era Gaspar, o filho de Farida tão procurado por Kindzu. A narrativa de Muidinga e Tuahir é feita por Mia Couto, enquanto os cadernos de Kindzu são narrados pelo próprio Kindzu.

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segunda-feira, 27 de maio de 2013

Um pouco de Max Weber


O sociólogo alemão Max Weber (saiba mais) é, sem dúvidas, um dos maiores pensadores do século XX. Na série de estudos sobre os clássicos da sociologia, que apresentamos em 2010, esboçamos um pouco das ideias de WeberImagem reproduzida do sítio http://1.bp.blogspot.com/_KXLNTmtvfTE/SC9b4uINP8I/AAAAAAAABXc/9KuYomL4yhA/s400/max+weber2.jpg. Abaixo trazemos novamente o link para as considerações referidas, constituídas a partir da leitura de duas obras fundamentais do autor: “A ética protestante e o espírito do  capitalismo” e “Economia e sociedade”.

O sociólogo alemão Max Weber foi um dos principais responsáveis por defender o rigor científico para as análises das sociedades. Situado num período em que os métodos naturalistas, vinculados às ciências exatas, influenciavam bastante o espaço das ciências sociais, Weber dedicou-se a afastar as noções de que a vida social pode ser avaliada sob o prisma de relações concretas, desprovidas de subjetividade.

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sexta-feira, 24 de maio de 2013

O italiano Fernando Atthanasio


Passamos a publicar uma série de contos da Historiadora e Professora de História, Raquel Braun Figueiró (saiba mais), baseados nos estudos da autora sobre os acontecimentos que levavam algumas pessoas para a Casa de Correção de Porto Alegre no século XIX. Iniciamos com o conto “Fernando Atthanasio”, contando várias das histórias daCasa de Correção de Porto Alegre (Imagem original no sítio http://fotosantigas.prati.com.br/fotosantigas/PortoAlegre/Porto_Alegre_Casa_de_Corre%C3%A7%C3%A3o_1954.htm) capital gaúcha no passado e fazendo a imaginação viajar no espaço-tempo. Segue abaixo o link para o texto completo.

(…) Fernando Atthanasio era um italiano negociante na cidade de Porto Alegre. Era casado e contava com seus 33 anos no dia em que Silvado fora baleado. No dia do crime saíra após o almoço para jogar cartas e tomar um trago na venda do seu Victor Gaclord. Do meio para o fim da tarde, fora para casa tomar uma taça de vinho e comer um pedaço de salame, servidos por sua mulher, Eufrasia. Tomara seu casaco escuro e saíra para os lados das docas do entorno do mercado. Ali ficara a fumar na beira do rio e a pensar na vida como se estivesse em um daqueles momentos em que o tempo para. Lembrara os motivos que o fizeram vir a Porto Alegre com sua esposa, há pouco mais de um ano.

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quarta-feira, 1 de maio de 2013

Operários em construção

Vinicius de Moraes*
Poeta, poetinha, camarada

No dia do trabalhador, uma homenagem para todos os trabalhadores deste mundo afora. Nenhum direito a menos! Nada deve parecer impossível de mudar.

Às vezes, enquanto trabalho em casa, na minha máquina, e busco no abstrato da paisagem urbana a forma do que quero dizer, acabo esquecendo de tudo para fixar minha atenção sobre os operários que terminam o edifício em frente. Chegaram agora à fase em que só falta pintar as esquadrias e dar caiação final no primeiro andar. Venho, há meses, observando-os trabalhar, erguer a sólida estrutura de oito pisos, com três apartamentos por andar. Vi-os situar as fundações, levantar o cipoal de aço e cimento que era como o esqueleto do prédio. Vi-os colocar-lhe os soalhos, enquadrar-lhe as portas e janelas, revesti-lo de sua epiderme intensa de tijolos refratários. Fui espectador emocionado de suas perigosas passagens para a prancha móvel, à guisa de elevador, sobre a área mínima da qual suspendiam-se para rebocar e caiar os grandes muros externos laterais da construção paciente e imóvel. Juro que ouvia tambores surdos, como antes do número de sensação ao trapézio volante de um circo, cada vez que um daqueles homens cor de cimento fazia arriscadíssima passagem da janela para a prancha estreita presa a roldanas colocadas no alto do edifício. Admirei-os em suas displicentes poses escultóricas, mãos na cintura sobre a tábua balouçante, indiferentes à sucção do abismo aberto em espirais de morte sob seus pés. A um vi fazer pipi lá para baixo, num perfeito à-vontade, provocando-me necessidade idêntica, ai de mim, fruto de uma reação de meu vago-simpático (pois que sofro de vertigem das alturas). À noite, ouvi-os cantar, no barracão que levantaram no pátio dos fundos, enquanto o fogo de sua cozinha rústica crepitava no escuro e seus violões ponteavam bordões dolentes. Apreciei-os brincar e brigar, passarem-se objetos, jogando-os com incrivel precisão, discutir problemas de construção e lances de futebol e receber empregadas da vizinhança com as quais se internavam prédio adentro: e que alegres voltavam desses rápidos seqüestros! Agora a estrutura se erige - mais um apartamento na colmeia em torno - e os operários esticam seu labor na preguiça dos retoques finais. Ergueram o prédio. Cumpriram seu dever. Criaram com suas mãos o plano de um arquiteto. Deram vida ao espaço. E em verdade eu vos digo que é justo o lazer que ora se permitem, pois multiplicaram uma só unidade residencial em muitas, capazes de abrigar as alegrias, tristezas, amores e lutas de outros tantos homens. E, fazendo-o, fizeram trabalho de homem.

* Reproduzido do site http://www.viniciusdemoraes.com.br.
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