SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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quinta-feira, 11 de julho de 2013

Os conflitos de classes na Suécia atual


Há uns dois anos, o depoimento de um uruguaio, radicado desde a infância em Estocolmo, trouxe a demonstração de que as coisas não estavam tão calmas na Suécia como todos parecem acreditar. O estudante de Ciência Política, que passava um tempo no Brasil investigando nosso sistema representativo, afirmou com todas as letras que os sucessivos governos de extrema direita estavam desconstruindo a história de pouca desigualdade no país europeu. O textoImagem reproduzida do sítio http://www.outraspalavras.net/files/2013/05/130526-Su%C3%A9cia.jpg disponibilizado abaixo faz refletir sobre a situação, além de trazer muitas informações sobre os conflitos entre as classes sociais na Suécia. A publicação original remete ao Outras Palavras, e tem a autoria de Tom Peck.

(…) em Husby, subúrbio no norte da cidade de Estocolmo, distante do centro, região superpopulosa onde vivem imigrantes, começava uma conflagração, em tudo diferente do que se via entre os suecos brancos ricos. Um shopping center foi vandalizado e uma garagem incendiada, o que causou a evacuação dos moradores de um bloco de apartamentos. Quando a polícia chegou, foi recebida a pedradas por mascarados; dois policiais foram feridos. Num vídeo que chocou o país, um terceiro policial caído aparece sendo espancado e chutado; os agressores chutaram também a pistola que se vê no coldre do policial.

Quando o dia clareou, havia mais de cem carros incendiados; e quando os jogadores campeões erguiam a taça, em confraternização com o rei Carl XVI Gustaf no Kungsträdgården, à vista de 20 mil fãs, a Suécia já entrara na primeira manhã dos piores tumultos urbanos de toda a moderna história do país, que continuam.

Centenas de carros e dúzias de prédios foram incendiados, e há mais de 100 presos. Imagens dos policiais feridos e prédios em chamas, na rica, pacífica e igualitária Suécia, surpreenderam o mundo. Mas, para outros muitos, não foi surpresa. Há anos os sindicatos, trabalhadores dos serviços sociais, cientistas políticos, rappers, em confronto com número um crescente de extremistas de direita, já contam o Conto das Duas Estocolmos – duas sociedades que coexistem numa mesma cidade dividida e não integrada. Mas nunca se vira oposição e contraste tão declarados quanto naquela primeira noite de fogo nas periferias, que sitiaram a festa do hóquei-sobre-o-gelo do centro.

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