SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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terça-feira, 17 de setembro de 2013

Bauman, identidades e o fim da greve


Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Nas últimas semanas, estive pensando bastante nas identificações que as pessoas adotam para si. Na própria ação de identificar-se com isso ou com aquilo. Pensei muito a respeito, durante a greve e a minha estadia em Salvador. Isso tudo na constante tentativa de pensar quem sou eu, quem são os outros.

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman* diz que a identidade pessoal dá significado ao “eu”. Uma espécie de identidade social, por sua vez, reforça esse significado. Faz com que seja possível falar de um “nós”, em que o “eu”, instável e inseguro, descansa na segurança do “nós” para livrar-se das suas ansiedades. Na greve, esse “nós” flertou com um aglomerado de “eus”, para aqueles que enfraqueceram o movimento por dentro. “O meu salário vai ser cortado, as minhas férias vão ser perdidas, eu isso, eu aquilo...”. Parece preocupante quando a covardia vigia os portões do nosso lado de dentro, e a estupidez está em guarda no nosso lado de fora.

* BAUMAN, Zygmunt. Ensaios sobre o conceito de cultura. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.

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