SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Relativizar, eis a questão


Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Uma cena inusitada. É o que se tornou ver alguém cantando na rua, nessa vida caótica e estressante das grandes metrópoles. Por incrível que possa parecer, um rapaz passou cantando um sertanejo universitário ou algo do gênero. Havia um casal observando o ocorrido. O alegre cantor se foi e o casal iniciou um diálogo:

- Bah, mas se é pra cantar aquilo, fica quieto!
- Não viaja, deixa de querer achar que os teus gostos, a tua cultura e tudo aquilo que é teu é melhor do que as coisas dos outros...
- Tá falando sério?!
- Certo, meu! O cara tava feliz, deixa ele cantar o que ele quiser e gostar.
- Qualidade zero no que ele cantava. Convenhamos, aquela música foi feita apenas pra vender, sem nenhuma contribuição pra humanidade.
- Sim, também acho. Mas o cara tava feliz, pelo menos.

O casal seguiu seu rumo. De tudo, as tentativas paradoxais de quebrar o etnocentrismo presente no cotidiano e problematizar a indústria cultural contemporânea chamaram a atenção. Ficou um impasse: relativizar tudo ou não? Seria possível refletir mais a fundo sobre a diversidade cultural, as origens dos gostos e das identificações. Quem sabe até esboçar um caminho. Mas aí seria assunto para outra reflexão.

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