SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Sobre os gaúchos e o 20 de setembro


Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

O dia 20 de setembro é lembrado, no Rio Grande do Sul, como uma homenagem à Revolução Farroupilha. Particularmente, considero uma data para pensar, muito mais do que para comemorar. Vou tentar fazer isso a partir de uma pequena história.

Aconteceu comigo na semana passada. Estive em outro estado, para um evento profissional. Logo que cheguei, fui recepcionado por um casal de amigos das amigas que me hospedaram. Naquele dia, foram as duas primeiras pessoas que sorriram para mim. Trataram-me muito bem. Chegamos à casa das minhas hospedeiras. Um churrasco em andamento nos esperava. Logo passamos a dialogar sobre vários assuntos. Protestos, docência, relações de trabalho, enfim, só temáticas interessantes. De repente, sei lá por qual razão, estávamos falando acerca das identidades de cada região do país.

Todos foram unânimes em dizer que mantinham um pé atrás com gaúchos e paulistas. Relataram que todas as experiências que tiveram com gaúchos foram difíceis. Eram pessoas frias, arrogantes, metidas, muitas vezes preconceituosas e, inclusive, racistas. Bah... Senti-me muito envergonhado. Não por estar ouvindo aquilo tudo. Mas por ter a convicção de que eles estavam certos – pelo menos no que tange ao nosso estereótipo. Argumentei um pouco, no sentido de desconstruir certas imagens reproduzidas por muitos dos meus conterrâneos. Eles ficaram espantados (perplexos até) ao notarem um gaúcho disposto a se chamar de brasileiro e a rejeitar o mito Farroupilha.

Não digo para não termos orgulho das nossas tradições. Chimarrão, churrasco, Grêmio e Inter. Eu gosto do Rio Grande do Sul. Porém, creio ser necessário manter uma consciência ativa sobre a nossa história. Chega de vangloriar um levante de estancieiros racistas. Chega de bradar pela falácia de que aqui somos mais educados, politizados ou coisas do gênero. Nada disso faz sentido. Somos brasileiros. Gaúchos e brasileiros. Quero chegar a qualquer parte do país e não precisar desconstruir a mentira de que somos a Europa do Brasil. Quero receber os irmãos de outras regiões com um sorriso no rosto, como fizeram os irmãos nordestinos assim que cheguei às bonitezas da Bahia.

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