SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Uma noite em Kiev

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

O clima era tenso. Triste e tenso. Ele não sabia direito a razão de estar ali.

Olhou a sua volta. Estava em uma praça, em Kiev, capital da Ucrânia. Havia muitas pessoas naquele local. Com variados anseios. Uns queriam trabalho e uma renda razoável. Outros eram de partidos de oposição ao presidente fugido. Tinha também grupos neo nazi-fascistas, que pregavam a supremacia branca e o lema “Deus e pátria”.

Sentia frio. Sentia, também, que o país estava dividido. As votações para a presidência e o parlamento, há poucos anos, demonstravam isso. No leste, a maioria do povo falava russo e apoiava o governo, além dos laços com a Rússia. No oeste, cujo idioma predominante era o ucraniano, dominava o sentimento de pertencer à Europa e a vontade de associação à União Europeia.

Pensava. Sabia que as potências ocidentais do norte queriam expandir sua influência sobre a nação em crise. A Rússia, por sua vez, experimentava seus tanques de guerra na fronteira. E a coisa ia se mostrando cada vez mais complexa. O futuro bastante incerto. E os grupos neo nazi-fascistas, “defensores” das manifestações, responsáveis por enfrentar a repressão do Estado, não paravam de ganhar notoriedade e repercussão – ainda que não fossem hegemônicos entre os protestantes.

De repente, acordou sobressaltado. Vish... Que sonho! Parecia tão real. E é. Tão real quanto as tretas do cotidiano aqui no sul dos trópicos.

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