SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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segunda-feira, 17 de março de 2014

Por que paralisar?

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Estou professor. Há alguns anos esse é o meu trabalho. Gosto muito do que faço. Hoje e nos próximos dois dias, uma parte significativa dos docentes da educação básica nacional paralisará as atividades. A partir dessa mobilização da categoria, configura-se uma boa hora para refletirmos sobre as realidades às quais estamos inseridos.

Acho que duas dimensões precisam entrar em pauta. A primeira, mais evidente, diz respeito às velhas lamúrias acerca das condições objetivas. Goteiras nas escolas, a ilegalidade do não pagamento do piso salarial, turmas com muitos estudantes, falta de segurança e etc. O cenário permanece desolador.

Por outro lado, a dimensão subjetiva do fazer pedagógico demanda discussões. Qual tipo de ser humano estimulamos no desenrolar do processo de ensino e aprendizagem atual? Livres? Doutrinados? Enquanto professores, quais estratégias podemos elaborar para driblar as desigualdades sociais, no intuito de equilibrarmos as possibilidades de bom desempenho escolar? A propósito, como definir um bom desempenho escolar?

Penso que ambas as dimensões são interdependentes. Paraliso o meu ofício para pensar e construir caminhos. Talvez, na trilha do economista Amartya Sen: “Com oportunidades sociais adequadas, os indivíduos podem efetivamente moldar seu próprio destino e ajudar uns aos outros”.

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