SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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terça-feira, 22 de abril de 2014

Complexas desigualdades

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Ora, pois. No dia 22 de abril de 1500 os portugueses aportavam pelas bandas tropicais. Alguém me questiona, do nada, enquanto tomo um café: “O que define o Brasil?”. Respondo: as desigualdades. Os seus efeitos estão no cotidiano. Resposta viciada de quem tem pensado e se debruçado sobre o conceito. Afinal, como entender com precisão os seus significados em tempos tão complexos?

As ideias acerca das desigualdades transitam entre outras categorias. Na tradição daqueles que se puseram a combatê-las, classes sociais e estratificação fundamentam as análises. Uns dizem que a renda define a vida social. Outros que a posição ocupada no mundo do trabalho, base da vida social, deve ser o alicerce de qualquer crítica. Sobra um embaralhamento compreensível, num cenário difícil de objetivar.

Uma visão relacional me parece mais lúcida para a atualidade. A renda, sobretudo, configura-se como um elemento central para pensar situações desiguais de sobrevivência. Isso é inegável. Sem ela, o consumo míngua. Mas ela não oferece tudo. Por si só, mostra-se restritiva demais, a ponto de obliterar a criação de indicadores fidedignos ao real. Mulheres, negros, homossexuais e os demais grupos minorizados em direitos podem ter grana. Mesmo assim, desigualdades podem persistir.

Resta muito a se dizer sobre classes sociais e estratificação, vale sublinhar. Isso fica para outra conversa. Agora, penso em direcionar os olhares para as desigualdades com o foco nas disparidades de capacidades básicas, responsáveis por fomentar o exercício de liberdades. Pensando relacionalmente contextos individuais e condições sociais. Sem, é claro, desintegrar diferenças ou homogeneizar quaisquer vidas humanas.

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