SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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quinta-feira, 24 de abril de 2014

Entre ataques

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Atacado por todos os lados. Assim se sentia naquele momento. Todos que o interpelavam tinham a intenção de definir qual era a melhor maneira de ensinar. Todos tinham os seus princípios de como um professor deveria atuar, e os defendiam com unhas e dentes.

De um lado, uma menina chamava a si própria de libertária. Combatia toda e qualquer técnica ou instrumento pedagógico que não retirasse a condução tradicional do fazer docente. “Estudantes têm que se mexer, têm que sair da escola, fazer qualquer coisa que não seja continuar como estão”, sentenciava.

Do outro, um rapaz autointitulado crítico-transformador dizia com veemência: “Métodos e técnicas não importam, mas, sim, a construção da revolução social. Fora disso tudo é irrelevante”.

Um último falante, afirmando-se pragmático e conservador, dava risada daquilo que considerava um antro de asneiras. “Cálculo, leitura e interpretação. É isso que educa. Conteúdo e nada mais. Tem que ser tradicional”.

Pensava. Pediu a palavra. “Não carrego a verdade ou a razão. Todos nós temos um pouco delas nos argumentos. Gosto muito do diálogo simetrizante. Porém, creio que os estudantes de hoje precisam, também, da leitura, da escrita, do movimento, das saídas de campo, de uma visão crítica sobre o real, de vídeos, imagens e sons. De tudo um pouco”.

Sabendo que viriam mais ataques, finalizou: “Precisam mais de um equilíbrio didático-pedagógico do que de qualquer extremismo”.

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