SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Marina Silva: nova política?

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Uma pergunta sacode as eleições que vêm aí: Marina Silva representa uma alternativa real de transformação? Um novo jeito de fazer política? Não tenho respostas, mas vou arriscar algumas considerações, com base em aspectos relacionados à política econômica e a alguns temas existenciais polêmicos.

Sob o prisma da política econômica, Marina pouco se pronunciou até o momento. Porém, é sabido que a respeitável candidata mantém fortes relações intelectuais com Eduardo Giannetti da Fonseca, economista e cientista social de orientação liberal. Ele tem proferido teses que apontam para um enxugamento do Estado e para a manutenção ferrenha do “tripé” superávit primário, câmbio flutuante e regime de metas de inflação. Nessa linha, prega um governo menos estatista e mais suscetível aos mercados, através de uma contundente austeridade fiscal, mesmo que isso acarrete aumento do desemprego e diminuição do consumo das classes populares (1). Sabe-se, também, que Marina tem em Maria Alice Setúbal, herdeira do Banco Itaú, uma articuladora central do seu partido (Rede Sustentabilidade) e das suas concepções em economia (2).

No que tange aos tópicos existenciais polêmicos, como casamento homoafetivo, aborto, drogas ou pesquisas com células-tronco, Marina não se distingue em nada da política tradicional. Não se posiciona efusivamente de maneira distinta aos demais participantes, ou seja, reluta em avançar nessas pautas (3). Deve-se dizer, contudo, que a candidata do PSB tem uma visão muito interessante sobre meio ambiente e minorias no campo. Nesse ponto, Marina tinha tudo para se mostrar uma alternativa, uma novidade política. Porém, quando avalizou Beto Albuquerque como seu possível vice, avalizou a presença de um dos grandes conectores do agronegócio no parlamento nacional (4). Do ponto de vista pragmático, para vencer o pleito, parece uma boa cartada. Só que retira qualquer elemento de novidade no espectro ambiental.

Em termos estritamente políticos, não menos importantes, se Marina se propõe a porta-voz de uma nova política, por que aderiu ao PSB, um partido que de novo nada exibe? Uma nova política é necessariamente imediatista e institucional? Não poderia ser constituída nas ruas, pelas ruas, até que, enfim, galgasse postos institucionais?

A partir dos motivos acima, não vejo Marina Silva como uma alternativa real de transformação, tampouco de fomento a uma nova política. Suas cartas estão no jogo há muito tempo. Posso estar equivocado. Só o futuro poderá dizer.

Notas:

(1) http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/10/1359699-marina-silva-faria-governo-menos-estatizante-que-dilma-diz-eduardo-giannetti.shtml.
(2)
http://oglobo.globo.com/brasil/a-fada-madrinha-de-marina-silva-8631231.
(3)
http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/eleicoes-2014/noticia/2014/08/da-religiao-a-politica-economica-o-que-pensa-marina-silva-4578448.html.
(4)
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/quem-e-beto-albuquerque-o-vice-de-marina-silva.

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