SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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sábado, 28 de fevereiro de 2015

“Guernica”, de Pablo Picasso

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

“Guernica”, de Pablo Picasso, pintado em 1937, retrata a destruição e os horrores provocados pelo bombardeio da Alemanha nazista à cidade homônima, uma das localidades que simbolizavam a resistência republicana ao movimento fascista liderado pelo general Francisco Franco, na Espanha, durante a Guerra Civil Espanhola. Conhecer o passado para melhorar o presente e o futuro.
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"Guernica", de Pablo Picasso. Fonte da imagem: WikiArt.

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Uma sociologia viva

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Sempre que começa uma nova temporada em sala de aula, como agora, pergunto-me com vigor: por que estudar? Por que estudar sociologia?

Pergunta difícil de responder. Para tentar, é preciso pensar com quem se dialoga. Com quais estudantes e com quais abordagens. Seja nos cursos técnicos integrados ao ensino médio, seja no trabalho com jovens e adultos, a proposta de ensino de sociologia a ser construída nesse ano cheio de desafios tem alguns pressupostos básicos.

Definir o que é conhecimento e quais as suas variantes faz-se imperativo. Há, pelo menos, duas formas fundamentais de conhecer o mundo: a experiência vivida (senso comum) e a investigação profunda (ciência).

Usualmente, considera-se o senso comum um antagonista da ciência. Pode até ser. Na prática pedagógica, entretanto, a intencionalidade para perseguir o conhecimento sociológico pode ser outra. Ciência e senso comum podem ser complementares. Ambos podem se transformar.

O senso comum, encharcado com elementos científicos provocados pelo professor, pode acrescentar ao seu caráter muitas vezes supersticioso e tradicional as interlocuções das pesquisas metódicas, cujas teorias e conceitos têm o potencial de bagunçar respostas prontas e imediatas.

A ciência, por sua vez, aceitando o contato e o relacionamento íntimo com o senso comum, com a experiência vivida, pode deixar o seu pedestal e passar a fazer sentido para uma quantidade maior de pessoas. Auxiliando a percepção coletiva de ideias menos rápidas e acabadas, menos naturalizantes, em prol de narrativas mais críticas, reflexivas e relacionais.

Fomentar uma sociologia viva. Que esteja nas bibliotecas, nos papers, nas pesquisas mais relevantes. Mas que esteja viva, sobretudo na dimensão do ensino, nos corações, corpos e mentes dos estudantes. Uma sociologia popular. Um baita desafio para a temporada que vai tomando forma.

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Respeitemos as minas!

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

No mundo ideal, não seria preciso dizer aos homens: nesse carnaval, respeitemos as minas. Não sejamos escrotos. Não aumentemos as estatísticas de violência.

Ah, mas o cara do rádio falou que o machismo não existe, que isso é coisa de feminazi neurótica. Esqueçamos os jornalistas. Em geral, eles sabem muito pouco. Almoçam ignorância e arrotam sabedoria. Falsa sabedoria. Desconfiemos sempre deles. Eles são funcionários com alma e ideias de patrões. Eles sabem de técnica, mas quase nada de conteúdo.

Não seria preciso dizer: não há roupa curta, olhar, beleza ou o que for que legitime um beijo forçado, uma violência ou qualquer ação não consentida. Carnaval é alegria, é festa. Não precisa ser opressão. Não deve. Pode ser numa relação duradoura, passageira, com ou sem compromisso: respeitemos as minas, respeitemos o consentimento.

Ah, isso vale para todos os dias. Como o mundo não é ideal, digamos juntos: respeitemos as minas! Não sejamos escrotos.

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Na lama até as entranhas

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Começa o telejornal mais assistido do país. O telespectador pensa alto:

- Cerca de 15 minutos com matérias sobre a corrupção numa das maiores empresas de petróleo do mundo. Mais de 15 minutos demonstrando como o partido no governo desde 2003 está envolvido de cabeça no pagamento de propinas e no superfaturamento de obras. Mais um partido da ordem.

Nesse tempo todo, nem uma palavra sequer sobre uma informação importante da delação premiada que embasou todas as denúncias aparece na tela. O telespectador, que leu o documento da delação, pensa alto outra vez:

- O operador em questão começou a receber propina desde 1997 ou 1998. Época em que o principal partido da oposição na atualidade comandava o país. E agora pagam uma de bastiões da honestidade. Só que não! O jogo é sujo e não começou hoje. Sem fazer relações e buscar a historicidade dos fatos, fica difícil uma informação de qualidade.

Irritado, finaliza seus pensamentos em alto e bom tom, a despeito da desinformação que consumiu daquela empresa de comunicação:

- Os partidos da ordem estão atolados na lama até as entranhas. A mídia hegemônica também.

 

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