SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Se o ódio dominar, quem vai sobrar?


Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Quando eu tinha 12 anos, um acontecimento mudou a minha vida. No Gigantinho, presente na final do Mundial de Futebol de Salão, acompanhava eufórico aquele Inter x Barcelona. Tá, mas esse não é um relato esportivo.

No decorrer da peleia, visualizei um jornalista que me dava asco. Não havia motivos muito concretos, apenas a presunção de que ele torcia para o rival. Com ele na mira, disparei em alto e bom tom, letra por letra e na esperança de que o profissional não me achasse no meio do povão: "Fulano fdp!!!".

Foi horrível. Não somente ele me viu, como apontou para mim imediatamente. Por um instante, achei que o adulto da situação agiria como uma criança, reagindo com ódio e violência. Ao identificar aquele fedelho magrelo e esquisito como o sujeito que havia proferido a agressão verbal, um tom de tristeza tomou conta do seu semblante. Sem falar nada, ele abriu os braços e esboçou uma feição de abatimento, desesperança e incredulidade.

Hoje, aquela expressão do ainda jornalista esportivo retrata o que sinto perante o ódio, a intolerância e a violência que acometem as redes sociais e os comentários nos portais da internet. Só consigo pensar na lição que comecei a aprender aquele dia: quando o ódio dominar, pode não sobrar ninguém.

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