SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Todo apoio aos estudantes de São Paulo


Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

É difícil não se emocionar com os secundaristas de São Paulo. Na real, por que não se emocionar? Pois os adultos são sábios, racionais e centrados? Balela. A cada vídeo, declaração, imagem ou acontecimento protagonizado por essa gurizada, que não aceita quieta o fechamento das suas escolas, a emoção toma conta. Ganha a cidadania, a democracia e a esperança.

Nesse semestre, caiu no meu colo o desafio de ministrar uma cadeira de “Direitos e cidadania”, com uma ementa bastante teórica, racionalista e legalista. Um desafio e tanto para um aventureiro como eu. Sinto que há uma cobrança geral para que o professor universitário enverede com rigor nos labirintos teóricos, fomentando o exercício constante da razão. Esse é, de fato, um caminho fundamental para o ensino superior.

Contudo, acho pouco. Acredito que analisar a realidade racionalmente, aprofundando o conhecimento sobre ela, configura um pressuposto, uma premissa. Ainda mais em tempos de ódio, opressão e apologia ao irracionalismo. Só que a razão não é o único elemento que movimenta nossas mentes e corpos. A gente vibra e pulsa. A gente sente.

Quando o governo quer nos tirar aquilo que nos constitui, como as sucateadas e problemáticas escolas paulistas, por mais que se tenha uma relação de amor e ódio com elas, razão e emoção podem se juntar. Fechar escolas exige estudos profundos e diálogos exaustivos, não apenas um canetaço.

Os secundaristas de São Paulo estão provando que o futuro está por fazer. Que democracia e cidadania podem sair da letra teórica e ganhar vida. E que eles não vão arregar para o despotismo e a repressão. Isso é emocionante.

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