SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O menino pobre e o gênio da bola

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Hoje eu vi uma foto emocionante: um menino de poucos anos de idade vestindo uma sacola plástica, que o seu talento transformou numa camiseta da seleção de futebol da Argentina. Nas costas, o nome e o número de Lionel Messi.

Essa semana eu vi os dados da Oxfam, ONG internacional, sobre a desigualdade de riquezas no planeta. São números provenientes do banco europeu Credit Suisse, que publica todos os anos um relatório acerca da desigualdade de riquezas em escala mundial.

Os dados são alarmantes. Não há como não se preocupar com a afirmação de que 62 pessoas possuem a mesma quantidade de riquezas que o restante das pessoas que habitam a Terra. Messi deve ser uma delas, parte do 1%. O menino, fã de Messi, é um integrante dos demais, os 99%.

A polarização político-ideológica reage aos números. A direita ortodoxa questiona a metodologia dos estudos; a esquerda ortodoxa sentencia que está provada a falência completa do capitalismo.

Sigo acreditando que as desigualdades de oportunidades são um problema central das sociedades humanas na atualidade. Mais do que verificar se os dados estão sobre ou subestimados, mais do que atacar um rival impessoal com palavras de ordem, a questão que me parece fundamental é investigar como ocorre a gênese e a legitimação da reprodução das desigualdades na vida de todos nós, pessoas comuns, dia após dia, de modo pré-reflexivo e intransparente*.

Esse me parece o desafio mais importante da sociologia crítica contemporânea.


* Uma das tentativas proeminentes de realizar essa investigação encontra-se na obra do sociólogo Jessé Souza, sobretudo em "A construção social da subcidadania" e "A tolice da inteligência brasileira". Leituras obrigatórias.

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