SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Entre o passado e o futuro

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Um dia depois do outro, observamos o retrocesso. Nem são as tenebrosas transações dos velhos oligarcas que mais me deixam perplexo. A Ponte para a Idade Média ganha força nas ações já tomadas e nas que estão por vir. Dois lemas alardeados, de fato, resumem bem o retorno ao passado: "não pense em crise, trabalhe" e "ordem e progresso".

Trabalhar é importante e necessário para a sobrevivência da maioria dos humanos. Pensar, ampliar horizontes, fazer associações e criar o diferente e o alternativo, por sua vez, são atitudes tão relevantes quanto trabalhar. Sobretudo num país em que mais da metade das pessoas trabalha e quase nada recebe, num país em que a desigualdade de oportunidades deveria envergonhar a todos nós. Pensar pode ser uma forma de se abrir para o possível, e a partir disso, preparar o terreno para mais conhecimentos e menos fanatismos. Para mudar a vida prática.

Sem incentivar o pensamento e focada na ordem e no progresso, nossa sociedade tem muito pouco a ganhar. Reparando bem, a ordem atual das coisas exclui multidões, violenta multidões e favorece, quase sempre, os mesmos favorecidos. O incômodo e a descrença numa democracia procedimental e oligárquica me parece se expressar no protagonismo das juventudes pelo mundo e nas suas ocupações das ruas e espaços públicos. Jovens pessoas que pensam e agem. Que querem fazer o novo e não se curvam ao fatalismo dos que gerem o Estado e o mercado. Que querem democracia com liberdade e igualdade.

Professores em greve, secundaristas ocupando escolas, enfim, todos aqueles que constroem hoje o amanhã, pensando e agindo, rejeitam o passado que os oligarcas querem impor sem sequer passar pelo crivo eleitoral. Nesses eu boto fé. Com esses eu quero somar. Porque a ordem e o progresso para meia dúzia, sem pensamento, tendem a exterminar a nossa própria humanidade. Disso acho que estamos fartos.

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