SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Sérgio Buarque de Holanda: raízes do Brasil



O objetivo de Raízes do Brasil, dentro do leque de questões que mobilizou o debate intelectual nos anos 30, é o de tentar compreender a sociedade brasileira a partir da questão da existência ou não de um "tipo próprio de cultura". Entretanto, antes de procurar definir este tipo, caberia investigar até que ponto ainda nos encontramos dentro dos padrões legados pela colonização ibérica, "(...) único esforço bem sucedido, e em larga escala, de transplantação de uma cultura européia para uma zona tropical e subtropical" (Holanda, 1936, p. 3).

O livro é aberto com a discussão sobre as sociedades ibéricas. Estas são analisadas a partir de sua posição geográfica nas fronteiras da Europa, intermediárias entre a Europa e a África e zonas de transição do continente. Uma posição limítrofe que será de grande importância para a compreensão do lugar específico ocupado pela cultura de tais sociedades no interior do chamado "europeísmo".

A característica principal deste tipo de mentalidade foi, segundo Sérgio Buarque de Holanda, o desenvolvimento extremado da "cultura da personalidade", que se definia pelo valor dado à autonomia do homem e à ausência de qualquer tipo de dependência; uma espécie de "individualismo radical" que produz uma situação de luta e competição constantes na busca da auto-superação e acréscimo de prestígio pessoal. Outro aspecto de interesse foi a ausência, quase geral, do princípio de hierarquia, enfraquecendo as formas de organização que tinham por base a solidariedade e a ordenação. "Em terra onde todos são barões não é possível um acordo coletivo durável, a não ser por uma força exterior respeitável e temida." (Holanda, 1936, p. 5).

Nestes termos, a cultura da personalidade é obstáculo a qualquer forma de associação que tenha por base os interesses. A possibilidade de união se dá muito mais através dos sentimentos, e são estes que forjam o único tipo de disciplina possível nessa situação: a obediência cega. Esta, na medida em que não se estrutura sobre qualquer tipo de contrato ou lealdade tradicional, é a única que pode existir num ambiente cujo apelo emocional é intenso, e onde o exercício constante da força apresenta-se como necessidade.

REFERÊNCIA