SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 10

América do Sul, Brasil,
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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Os livros resistem

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Talvez o meu objeto preferido seja o livro. Todos temos objetos que amamos. Uns amam seu telefone. Outros, suas roupas. Alguns amam raquetes, bolas, pranchas. Entre outras poucas coisas, gosto muito de livros.

O Brasil é ruim pra quem gosta de livros. Vários são caros. Duas das maiores redes de livrarias do país pedem socorro judicial, nesses tempos de armas e ódios. Grandes e pequenas editoras balançam. E a nação que só costuma "ler" best-seller, autoajuda ou "gurus fanáticos" não parece se importar muito.

A leitura é fundamental na minha vida. Embora desconfie que se esteja lendo muito pouco, até nas universidades, digo aos meus alunos que os livros são como janelas que podemos abrir e enxergar o mundo e nossa relação com ele. Abrindo essas janelas, podemos conhecer mais, podemos nos emocionar, embravecer, estimular e, sim, sonhar e agir.

Livros, em geral, são mercadorias. Assim, estão envoltos em relações de poder. As ofertas dependem das demandas. Em dias sombrios, censuras de todos os tipos costumam se abater sobre muitos deles. Diversos já foram queimados aos berros ensandecidos de pessoas que nunca sequer os leram. Nesses ocasos da História, os livros mais perniciosos costumam ser aqueles que revelam, denunciam e mobilizam contra a tirania, a injustiça e as dominações.

São esses os mais belos livros. Esses e aqueles que contam histórias que nos fazem entender ou romper nossos próprios desejos, que nos afetam e nos fazem compartilhar afetos. Que nos fazem rir e chorar. Penso que resistir à barbárie também é fomentar pequenas editoras e livrarias. Fomentar a troca e o empréstimo de livros significativos. Espalhar livros e utopias. Quem puder, que o faça - pois bem sabemos que os armamentistas, no fundo, temem as palavras.
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