SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 12

América do Sul, Brasil,

quinta-feira, 2 de julho de 2020

O materialismo histórico e dialético


Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

A Aula 03 do Curso Livre de Epistemologia das Ciências Sociais tem como objetivo apresentar as características do materialismo histórico e dialético, elaborado por Karl Marx, em parceria com Friedrich Engels, destacando suas fontes principais (dialética idealista, materialismo mecanicista, economia política empirista e filosofia política socialista).
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Acesse para acompanhar a aula:

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Além disso, a aula discute as diferenças do método marxiano de análise da realidade social na relação com o empirismo e o indutivismo. A aula contou com uma edição pormenorizada, que contém trechos do filme "O jovem Karl Marx" (Diaphana Films, 2017) e uma fala do Prof. Dr. José Paulo Netto (UFRJ), especialista em marxismo.


Cabe lembrar que a melhor maneira de acompanhar esse curso é fazer a leitura dos textos sugeridos nos Planos de Aulas, visualizar as aulas na ordem proposta no Plano de Trabalho e fazer anotações próprias, em bloco ou caderno.

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terça-feira, 23 de junho de 2020

Resenhando Saberes #02: Jornalismo e fake news no século XXI


Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Na segunda troca de ideias sobre temais atuais, conversei com o jornalista Estêvão Pires da Silva, que possui quase 15 anos de experiência no exercício do jornalismo profissional, tendo trabalhado em diversos veículos de comunicação importantes do Sul do Brasil - em rádio, internet e televisão.




Estêvão nos deu uma verdadeira aula sobre jornalismo profissional. A conversa girou em torno de três tópicos: (1) os detalhes da rotina profissional do jornalista, e as diferenças entre jornalismo e fake news; (2) as condições do trabalhador do jornalismo e os oligopólios das grandes empresas de comunicação; (3) o futuro da atividade jornalística, neste século em que a informação deve estar no centro dos debates mais relevantes.

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segunda-feira, 15 de junho de 2020

Popper e o "falsificacionismo"

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

A Aula 02 do Curso Livre de Epistemologia das Ciências Sociais tem como objetivo o entendimento da epistemologia falsificacionista de Karl Popper, em diálogo com o positivismo de Auguste Comte e o empirismo lógico do Círculo de Viena.

Acesse para acompanhar a aula:


A aula se divide em duas partes: 1) Um resgate dos argumentos do empirismo, em especial da doutrina positivista de Comte e do Círculo de Viena, indicando aproximações e distanciamentos da filosofia da ciência de Popper; 2) A epistemologia elaborada por Karl Popper, a partir da ideia de "falseabilidade" ou "falsificacionismo". 

Acesse também:

Lembrando: a melhor forma de acompanhar este curso é fazer as leituras indicadas nos Planos de Aulas, visualizando as aulas na ordem proposta no Plano de Trabalho e fazendo as suas anotações próprias, em caderno ou bloco.
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sexta-feira, 5 de junho de 2020

Resenhando Saberes #01: A atualidade do conceito de classes sociais

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

O Resenhando Saberes é um projeto de trocas de ideias informais, via aplicativos de internet, que tem como objetivo a discussão de temáticas atuais, em profundidade e com linguagem popular.

Na primeira conversa, o convidado foi o Prof. Ms. Glauco Ludwig Araujo, atualmente doutorando no Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Durante cerca de 30 minutos, conversamos sobre como se definem as classes sociais, sobre o alcance e os limites da mobilidade social, além de debater a meritocracia como legitimação da estratificação na sociedade brasileira. Por fim, também abordamos as consequências da pandemia de Covid-19 para as diferentes classes sociais.


Todas as conversas serão gravadas e estarão sempre disponíveis no canal do blog no YouTube. Os assuntos podem ser os mais diversos, e tendem a dialogar com questões importantes na atualidade.

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segunda-feira, 1 de junho de 2020

Apresentação do Curso Livre de Epistemologia das Ciências Sociais

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

A epistemologia é a reflexão sobre o conhecimento humano, sua natureza, seus potenciais e seus limites, e também pode ser pensada como "teoria do conhecimento" ou "filosofia das ciências".

O Curso Livre de Epistemologia das Ciências Sociais parte de dois questionamentos bastante em voga: é possível conhecer cientificamente a realidade social? Como os cientistas sociais devem agir para conhecer a realidade social?

Na esteira dessas indagações, o objetivo do curso é fazer com que os/as estudantes tenham condições de mapear as principais discussões sobre a epistemologia das Ciências Sociais, caracterizando seus alcances e limites e conseguindo se posicionar quanto aos caminhos possíveis para estudar cientificamente as sociedades humanas.

Acesse para acompanhar a apresentação:
 

No vídeo acima, você pode visualizar a apresentação do curso, que contém os detalhes quanto à organização dos materiais. Na lista abaixo, você pode acompanhar o conteúdo a ser trabalhado no curso completo.

- Aula 01: O positivismo em Comte e o Círculo de Viena
- Aula 02: Karl Popper e o “falsificacionismo”

- Aula 03: O materialismo histórico e dialético

- Aula 04: Weber e a objetividade das ciências sociais

- Aula 05: Thomas Kuhn e as revoluções científicas

- Aula 06: O realismo crítico

- Aula 07: O racionalismo aplicado de Bachelard

- Aula 08: Bourdieu e a vigilância epistemológica

- Aula 09: Mannheim e a sociologia do conhecimento

- Aula 10: O Programa Forte em Sociologia do Conhecimento

- Aula 11: As etnografias das práticas científicas

- Aula 12: Ciência e poder em Foucault e Deleuze & Guattari

- Aula 13: Decolonialismo, pós-colonialismo e epistemologias do sul

- Aula 14: As epistemologias feministas

- Aula 15: O século XXI e as ciências sociais

Para melhor aproveitamento pedagógico, sugere-se que o/a estudante acompanhe as aulas expositivas gravadas em vídeo, na sequência proposta no Plano de Trabalho, após realizar as leituras dos textos indicados e dos Planos de Aulas, fazendo as suas anotações próprias em caderno ou bloco.

É importante lembrar que esse curso foi pensado e elaborado para servir como material complementar ao ensino presencial. De todo o modo, ficará disponível gratuitamente para todos os interessados em Ciências Sociais.

Iniciado em: 01/06/2020
Atualizado em: 03/07/2020

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sexta-feira, 29 de maio de 2020

O positivismo em Comte e o Círculo de Viena


Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

A primeira aula do Curso de Epistemologia das Ciências Sociais tem como objetivo apresentar os caminhos que o positivismo de Auguste Comte e os seus desdobramentos no Círculo de Viena oferecem para responder as questões que balizam esse curso: é possível conhecer cientificamente a realidade social? Como podem agir as Ciências Sociais para realizar tamanha tarefa?


O vídeo da aula está disponível abaixo e no canal do blog no YouTube. O texto indicado para leitura é a obra principal de Comte, o "Curso de Filosofia Positiva". É fundamental realizar a leitura do texto indicado, para um melhor aproveitamento pedagógico.




A aula está dividida em três partes: 1) Os antecedentes do positivismo, com o foco no racionalismo e no empirismo; 2) A doutrina positivista e a obra de Comte; 3) Os desdobramentos da doutrina positivista, enfatizando o Círculo de Viena.

Lembrando: Para melhor aproveitamento pedagógico, sugere-se que o estudante acompanhe a aula expositiva gravada em vídeo, seguindo a ordem do Plano de Trabalho, após realizar a leitura do texto indicado e do Plano de Aula, fazendo as suas anotações próprias em um caderno ou bloco.

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sexta-feira, 15 de maio de 2020

Roteiro para estudo e escrita em Sociologia


Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Introdução

Antes de começar a fazer pesquisa sociológica, antes de botar a mão na massa, produzir, organizar ou selecionar e analisar dados empíricos à luz das teorias, o cientista social precisa ter uma capacidade razoável de leitura e produção textual. Como um pressuposto, o cientista social precisa conseguir absorver das leituras que faz, e que precisam ser muitas, os seus pontos principais e as articulações que eles sugerem. Isso acaba inapelavelmente passando por escrever sobre teorias, autores, conceitos, debates e etc.

Essa responsabilidade traz problemas. Primeiro, em função de que, salvo valiosas experiências no âmbito da educação formal, pouco se ensina “a estudar” aos nossos jovens. Medidas básicas de organização das atividades de estudo podem ajudar a fazer a coisa acontecer. Segundo, porque não costumamos nos sentir preparados para sair escrevendo, seja porque a vida acadêmica é altamente competitiva e feita de pressões diversas, seja porque temos dificuldade mesmo de botar para fora as ideias que fervilham nas nossas mentes.

A partir desse problema, elaborei um roteiro básico para minhas atividades de estudo e produção textual em Sociologia, uma parte relevante das minhas atividades profissionais, o que tem me ajudado a ler e escrever de maneira mais organizada. É óbvio que essas dicas em forma de roteiro não se pretendem científicas, muito longe disso. Trata-se apenas de uma forma de organizar as atividades de estudo e escrita para interessados em Sociologia, buscando auxiliar a mim mesmo, nessas que são incumbências intrínsecas ao trabalho sociológico. Se para mais alguém isso for útil, será uma satisfação.

1 Dimensões e passos do roteiro proposto

O roteiro envolve três dimensões: (1) o contexto da temática em estudo; (2) a leitura dos textos da temática em estudo; (3) e a escrita sobre as leituras realizadas. São dimensões que se entrelaçam e, com o tempo, acabam certamente se confundindo. Por exemplo, um praticante que já tenha um acúmulo grande de leituras e textos escritos, já conheceu e versou sobre o contexto da temática, pode transitar com facilidade entre este ou aquele aspecto que pretenda dissertar, inclusive fundindo diferentes perspectivas e criando novos laços conceituais e teóricos. Se o estudioso fizer sempre, em todas as leituras e temáticas que se debruçar, essa espécie de artesanato sociológico, com o passar do tempo acumulará um grande acervo de textos próprios sobre muitos assuntos, autores e teorias, ampliando seus recursos de trabalho. Penso que essa lógica de estudo e produção textual vale para textos variados da Sociologia (metodológicos, teóricos, artigos científicos, teorias, etc.). Sugiro cinco passos básicos para operacionalizar este roteiro de estudo e escrita.

Primeiro passo – A contextualização

A primeira coisa a fazer é procurar algumas informações sobre o assunto/autor que se deseja estudar. Penso que sempre vale a pena começar pelas ideias gerais, pelas pessoas que comentam as grandes obras e grandes pesquisas. Isso significa começar por abordagens mais superficiais, sem dúvidas, mas justamente para abrir os caminhos do estudioso, de modo que ele comece a transitar pelo assunto entendendo o que está sendo dito. Ler de supetão os grandes clássicos, os originais, pode até ser uma estratégia que dê certo para muita gente, e por vezes é o que fazemos a contragosto. Minha sugestão para organizar os estudos e construir crescentemente conhecimentos sobre o objeto de estudo é iniciar pelo conteúdo mais mastigado, a fim de que o estudioso não perca o gosto pelo estudo e siga adiante, até chegar aos pontos mais profundos e complexos.

Segundo passo – A leitura

O segundo passo é aquele impossível de fugir: a leitura. Para aumentar os conhecimentos em Sociologia é inevitável aumentar a carga de leitura. Dói, não é fácil, mas tem que ler. E ler bastante. Mas eu acredito que ler com atenção e com um foco predeterminado ajuda a dinamizar as leituras e não perder tempo naquilo que pouco vai acrescentar ou que é periférico sob o ângulo que o estudioso procura analisar.

Por isso, minha sugestão é fazer as leituras sempre procurando determinadas “dobras” do texto, isto é, procurando em que ponto o texto articula a sua centralidade, que geralmente remete a associação entre teoria e empiria. Quero dizer que procuro nos textos, antes de tudo, a clareza quanto ao seu objetivo principal, para logo depois achar essas dobras entre os argumentos. Procuro também conceitos que façam a “materialidade” dessas dobras, de preferência que possam ser ilustrados por exemplos de caráter empírico utilizados no texto. Em síntese, uma tríade de buscas: objetivos principais, dobras conceituais e dobras empíricas.

Há uma coisa a mais sobre a leitura. Eu sou um daqueles que lê em qualquer lugar, com relativa tranquilidade. Para aqueles que também são assim, sugiro que o façam mesmo com textos pesados e teóricos e mesmo que não haja possibilidade de fazer anotações e marcações. Mesmo assim, leiam. Porém, para aqueles que não lidam bem com leituras em locais movimentados ou transporte coletivo, por exemplo, sem problemas. Isso não necessariamente atrapalha, pois, provavelmente, estes dedicam outros tempos para a leitura.

O fato é que, uma hora ou outra, eu sempre considero importante fazer anotações a lápis no corpo do texto, sobretudo porque não tenho memória suficiente para guardar páginas e argumentos depois de alguns anos me dedicando a pesquisa e a docência em Sociologia. Podem ser marquinhas discretas, anotações ou o que bem o estudioso entender, mas precisa ficar claro que ali há algo que pode ser utilizado em outro momento, há algo importante.

Terceiro passo – A seleção contextualizada

O terceiro passo depende, em parte, da qualidade da leitura realizada. Depois de entender o contexto do assunto, procurar textos introdutórios e começar a lê-los, é preciso que o estudioso tenha capacidade de selecionar partes do texto que leu para organizar as suas ideias sobre o texto, no formato da escrita. Selecionar essas partes pode ser facilitado pelas marcações que o estudioso fizer no texto lido, e pode se ganhar bastante se forem selecionados trechos relativos aos objetivos principais e as dobras conceituais e empíricas supracitadas. É dessa seleção que sairá o texto sobre o texto, ou seja, é desta seleção que se realiza a escrita sobre aquilo que foi lido.

Quarto passo – A escrita

A página está em branco. É chegada a hora de usar o teclado do PC. O estudioso já pode estar mais seguro, já possui mais informações e já tentou selecionar aquilo que lhe cabia no texto lido, de modo a dar inicio a escrita. Proponho que se produzam textos que se localizam entre um fichamento (descrição do que foi dito no texto lido) e uma resenha (descrição com tons analíticos e críticos). Algo que se localize entre as duas propostas, no entremeio do fichamento e da resenha.

Minha sugestão é partir da organização lógica inerente ao próprio texto lido. Isso significa começar a escrever sobre a introdução e assim por diante, seguindo a ordem de início, meio e fim do texto lido. A operação básica é simples, ainda que complexa: escrever com palavras próprias as ideias que foram selecionadas, acrescentando ou não comentários. O estudioso vai escrevendo sobre o que diz o texto e vai compondo a sua escrita, e com o tempo a capacidade de fazer ligações entre assuntos e acréscimos próprios tende a aumentar.

No decorrer dos anos, se o estudioso guardar no seu arquivo de textos de sua autoria cada um dos escritos sobre cada assunto/autor que realizou a leitura, seu acervo será algo interessantíssimo, recheado de ideias, conceitos, referências empíricas e insights do próprio estudioso, constituindo um rico material de base para o ofício da pesquisa sociológica e da docência.

Quinto passo – A organização do acervo

Cada estudioso pode ter a sua organização, é verdade. Eu sugiro, modestamente, que se mantenham temáticas que dialogam próximas, assim como autores e conceitos, de modo a ajudar o estudioso a fomentar mentalmente ligações entre temáticas, autores e conceitos, auxiliando a criação intelectual. Creio que a forma mais organizada de fazer isso é separar os arquivos de Word/Open Office em pastas temáticas, e entre os arquivos nomeá-los a partir do sobrenome do autor, seguido do nome e de um título para o texto. Exemplo: caprara, bernardo – roteiro para estudos.docx. Assim, o acervo fica minimamente organizado.

Considerações finais

Com este breve roteiro, eu espero ter ajudado aos estudiosos da Sociologia a pensar na criação das suas próprias formas de organização dos seus estudos, das suas leituras e produções textuais. Individualmente, desde que comecei a adotar esses procedimentos, consegui organizar melhor essa parte relevante da minha vida profissional. Estes textos, que se localizam entre os fichamentos e as resenhas, no acumulado, ajudam muito na prática cotidiana de pesquisa e docência em Sociologia. Têm sido “ferramentas” essenciais.
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segunda-feira, 4 de maio de 2020

Não há de ser inutilmente, Aldir


Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

No dia 4 de maio de 2009, iniciei a aventura de ser professor. Quis o destino que hoje, 11 anos depois, um vírus mortal levasse o gigante Aldir Blanc.

Em todos esses anos, busquei na docência a defesa e o aprofundamento da democracia. Uma forma de fomentar para todos a liberdade, a igualdade e a dignidade de um mestre-sala.

Falhei muitas vezes. Incontáveis tardes me caíram como um viaduto. A sala de aula é casa de marimbondo, e tem gente aí que acha que aprender é contravenção.

De uns anos pra cá, tudo piorou. Os corpos estendidos no chão do Brasil que o Brazil não conhece, ou os tantos que partiram num rabo de foguete, entre cantos e chibatas, viram-se outra vez diante da brutalidade dos torturadores e seus asseclas.

Sentindo um frio na alma, te convido a dançar, Esperança Equilibrista. O tempo corre e o suor escorre, e a gente não pode entregar o país ao nosso passado mais sombrio. A ciranda do povo não pode desistir.

Só assim, sem se entregar, é que essa dor assim pungente, não há de ser inutilmente. São professores como eu, pais de santo, passistas, flagelados, balconistas, palhaços ou boias-frias...

Não importa quem somos, não podemos nos entregar ao porão e aos genocidas. Cantemos alto, porque se eu contar o que pode um cavaquinho, os "homi num vai crer": "Glória, a todas as lutas inglórias, que através da nossa história, não esquecemos jamais!".
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quinta-feira, 30 de abril de 2020

Agradecer

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Em casa, agradecer tem sido a minha pauta diária. Amanheço agradecendo ao amor da Kambili, essa peluda sempre tão presente e carinhosa.

No café da manhã, agradeço aos meus familiares mais próximos, por todo o amor e cuidado que me dedicam.

Enquanto me preparo para leituras e afazeres, sou grato pela educação que tive, da escola ao doutorado, e por nunca ter me faltado um lar, comida e algum lazer.

Quando a atenção dispersa, penso no carinho das pessoas. Bate uma gratidão enorme pelo amor que vivi durante 13 anos, e por todos os amigos/amores que a vida me deu há muito ou pouco tempo.

Chego ao fim do dia grato demais pelo Sol, pela praia e pelo mar, a bola pro alto, os lugares que conheci, os livros que ouvi, os discos que li, os alunos com os quais tanto aprendi.

Se o país em que vivo tá cheio de gente defendendo o lucro acima da vida, sem sequer cogitar que a sociedade (via Estado) deve amparar quem precisa, eu sou grato por não estar entre essa galera.

E aí, quando vejo a lua e as estrelas, só consigo sorrir. Até aqui, sou um privilegiado. Sorrindo, posso agradecer amanhã quando acordar outra vez.
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quinta-feira, 23 de abril de 2020

A metáfora (macabra) da modernidade


Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

As pessoas estão morrendo isoladas, para não contagiar seus entes queridos. Será a metáfora (macabra) perfeita do individualismo ocidental moderno?

O arranjo que mistura liberalismo econômico dogmático com conservadorismo moral vai se sustentar?

Vamos entender de vez que muitas coisas simplesmente não são mercadorias, pois a nossa vida e bem-estar geral dependem delas?

O aprofundamento das desigualdades e do caos social vai nos fazer buscar mais democracia, não só votar, ou baixaremos a cabeça aos autoritarismos de ocasião?

Vamos conseguir superar o egoísmo narcisista, no caminho da cooperação e da solidariedade entre os diferentes, ou essa crise resultará em mais nacionalismos e xenofobia?
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segunda-feira, 6 de abril de 2020

É para isso que serve a Sociologia?


Por Karen Kendrick*
Albertus Magnus College

Nesse momento, planejo uma aula para meus estudantes sobre como o capitalismo e a globalização criaram as condições para a pandemia do COVID-19. Estou fazendo isso porque a universidade em que trabalho me pediu para migrar minhas aulas para plataformas online pelo resto do semestre. Tendo em vista quem eu sou e o que ensino, decidi que vou pedir para os alunos estudarem sociologia durante a pandemia, só tenho uma escolha. Tenho que ensiná-los sobre como sociólogos pensam a respeito de pandemias.

Então pensei em começar da mesma forma que inicio meu curso de Sociologia da Saúde e da Doença. Na primeira aula introduzo o estudo da epidemiologia - uma palavra bonita que significa os padrões de saúde e doença entre populações humanas [1]. Direi algumas coisas sobre como os seres humanos tinham uma expectativa de vida muito mais curta que atualmente e como vimos alguns períodos de aumento dessas taxas, mas a grande mudança na expectativa de vida dos humanos veio entre 1900–1930 durante a transição epidemiológica. A expectativa de vida para homens brancos nos EUA passou de 47 para 60 anos e para homens negros de 33–48. Por um longo tempo nos parabenizamos por esse aumento, devido à melhoria dos sistemas sanitários e de esgoto, e estes foram muito importantes. Mas os fatores mais importantes na transição epidemiológica foram uma melhoria generalizada nas condições nutricionais e de vida - ar limpo e abrigo. Comer bem e não viver amontoado em moradias precárias nas cidades industrializadas ou vilas de camponeses melhorou nossos sistemas imunológicos e reduziu a quantidade de pragas e influenza que espalhamos entre nós.

quinta-feira, 26 de março de 2020

Manifesto: Diretrizes e medidas de combate à pandemia do corona vírus e para a recuperação da economia (UFRGS)


Professores da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS lançam manifesto com 32 sugestões de diretrizes e medidas de combate à pandemia do corona vírus e para a recuperação da economia. Os professores destacam as medidas contundentes que vêm sendo adotadas nos países em que a pandemia atingiu níveis mais graves e chamam a atenção para a necessidade de o Brasil seguir os mesmo passos, abandonando a timidez e mobilizando amplos recursos dos setores público e privado no imediato combate à crise. Não é hora para inação. O manifesto inclui medidas imediatas para suporte ao setor da saúde, medidas de sustentação do emprego e da renda no curto prazo enquanto durar a pandemia, medidas para assegurar disponibilidade de serviços de utilidade pública e habitação enquanto durar a pandemia, medidas de apoio a empresas fortemente atingidas pela pandemia e de garantia do abastecimento dos bens de primeira necessidade e medidas para recuperação e sustentação da economia.


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terça-feira, 24 de março de 2020

Cientistas Sociais e o coronavírus


Por Rodrigo Toniol
Antropologia UNICAMP


Boletim n. 1 da Associação Nacional de
Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS)

A pandemia do Corona colocou nas nossas conversas cotidianas pelo menos três tópicos: questões biológicas sobre a dinâmica do vírus, a gestão política em tempos de epidemia e o crescente e generalizado pânico das populações. Sobre esses temas e, principalmente, sobre a articulação entre eles, as ciências sociais têm se dedicado há décadas. Somente nos últimos anos podemos recuperar os trabalhos sobre Zica, ebola, aids, malária e SARS. Pesquisas que receberam financiamento, que foram conduzidas com rigor e que agora nos ajudam a entender o momento que vivemos e também a imaginar algumas saídas para reduzir o impacto que o Corona terá em nossas vidas.

Pensando nisso, reunimos uma breve bibliografia de textos que abordam o tema das epidemias, do contágio e do controle de doenças a partir de uma perspectiva das Ciências Sociais. Ao longo dos próximos dias incluiremos novas referências, que permanecerão disoníveis no link abaixo.

Com relação ao COVID-19, especificamente, houve uma uma resposta rápida por parte do site “somatosphere”, que publicou no dia 06/03 um fórum de debates que reuniu historiadores, cientistas políticos, sociólogos e antropólogos dispostos a refletir sobre os impactos dessa nova pandemia.

Este também é um momento oportuno para revisitarmos o blog da antropóloga Soraya Fleischer (UnB), que junto com seu grupo de pesquisa, apresenta histórias das pessoas que continuam vivendo os impactos da epidemia do Zica Virus. O Zica também foi tema da produção audiovisual de Debora Diniz, cujo curta metragem nos permite chegar mais perto dos dramas e dilemas de ser afetado por uma epidemia.

Como já temos percebido, os efeitos do Corona estão muito além de ser contagiado ou não. As ciências sociais nos ajudam a perceber como as epidemias nos afetaram ao longo da história e como o debate sobre as formas de reagir a ela sempre envolvem questões que extrapolam o agente biológico. Essa também é a hora de olharmos para o conhecimento produzido pelas Ciências Sociais.


segunda-feira, 2 de março de 2020

Abordagens qualitativas e quantitativas na pesquisa sociológica

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor
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A pesquisa sociológica costuma ser classificada a partir de duas abordagens, a qualitativa e a quantitativa. Porém, ambas as abordagens se relacionam com alguns pressupostos, como as discussões ontológicas e epistemológicas. Em conjunto com os aspectos metodológicos e técnicos, essas discussões constituem o centro deste texto.

Donatella Della Porta e Michael Keating, em “Approaches and Methodologies in the Social Sciences”, organizam este debate categorizando quatro “correntes teóricas”. Do ponto de vista ontológico, as principais questões são: a realidade social existe enquanto entidade coletiva? É possível conhecer a realidade social? Do ponto de vista epistemológico, coloca-se as seguintes questões: como se dá a relação entre pesquisador e objeto de pesquisa? Que tipo de conhecimento é possível produzir?

A primeira corrente teórica citada pelos autores é o positivismo, que aparece em Augusto Comte, Herbert Spencer e, para alguns, em Émile Durkheim. Trata-se de uma escola fundadora da Sociologia como disciplina especializada, e que enxerga as Ciências Sociais como semelhantes às demais ciências. A realidade social é uma entidade externa ao observador, cognoscível na sua totalidade. O pesquisador deve descrever e analisar essa realidade. Pesquisador e objeto de pesquisa são diferentes e é possível que a pesquisa seja feita de forma neutra, sem que o pesquisador afete o objeto de pesquisa. O conhecimento resultante busca “leis”, “regularidades” e relações causais.

Num segundo momento, verifica-se a emergência do pós-positivismo ou neopositivismo, para quem a realidade social permanece entendida como objetiva e existente à revelia da mente humana. Entretanto, ela é imperfeitamente cognoscível. A ideia de “leis” é substituída pela ideia de “probabilidades”. Mesmo que não haja um rompimento com o positivismo no seu âmago, há uma flexibilização importante das suas prerrogativas lógicas e uma aceitação de algum grau de incerteza. O realismo crítico, por exemplo, de Roy Bashkar, define a existência de um mundo objetivo real, à medida que o conhecimento humano sobre ele é socialmente condicionado.

A terceira corrente teórica é a interpretativista, na qual os significados objetivos e subjetivos estão bastante conectados. Subsiste uma forte crítica ao mecanicismo positivista, que é confrontado com a valorização da humanidade presente nos processo sociais. Pelo fato de os seres humanos produzirem significado o tempo todo, a pesquisa sociológica deve interpretar esses significados que motivam as ações. Dessa forma, a subjetividade atravessa o pesquisador, o objeto de pesquisa e o conhecimento produzido.

Mas é na quarta corrente teórica, a humanista, que a subjetividade ganha a sua maior relevância. É imperativo diferenciar as Ciências Sociais das Ciências da Natureza, pelo fato de que as primeiras passam sempre pelo filtro subjetivo por parte dos indivíduos, o que é uma característica importante tanto para a pesquisa, quanto para o objeto de pesquisa. Clifford Geertz argumenta nesse sentido, direcionando as Ciências Sociais para um tipo de “Ciências Interpretativas”. No extremo dessa corrente teórica, a realidade inexiste para além das imagens relativas e parciais construídas pela humanidade.

Diante das quatro correntes teóricas apresentadas por Della Porta e Keating, a pesquisa sociológica pode contar com estratégias metodológicas mais bem informadas. Os positivistas, em geral, trabalham com a linguagem das variáveis, como as “dependentes” (“explicadas”) e as “independentes” (“explicativas”). Com os pós-positivistas o contexto entra em cena e, mesmo que se mantenha a linguagem das variáveis, as relações entre elas não são tidas como válidas para todos os lugares e momentos. As abordagens quantitativas costumam ser relacionadas com essas perspectivas. As correntes interpretativista e humanista tendem a enfatizar casos específicos como entidades complexas, ressaltando o seu contexto. Nem causa e efeito, nem generalizações sãos incentivadas nessa orientação. Esse é o universo em que costumam se desenvolver as abordagens qualitativas.

Para cada orientação ontológica, epistemológica e metodológica, coexistem técnicas de produção e análise de dados empíricos. Entre as abordagens quantitativas, os questionários estilo survey tendem a ser um instrumento característico de produção de dados. Para analisar esses dados, pode-se utilizar a estatística descritiva, destacando médias, medianas, frequências e tabulações cruzadas. Indo além, as análises de correspondência simples e múltipla são recursos valiosos para análises exploratórias, pois fornecem “mapas geométricos” de associações e distanciamento entre variáveis categóricas (entendidas como “modalidades”). A análise de variância (ANOVA) ajuda a entender se as diferenças entre médias são significativas ou não. As regressões lineares, por sua vez, possibilitam a construção de modelos que identificam os efeitos de uma (simples) ou mais (múltipla) variáveis independentes sobre uma variável dependente quantitativa, com dados em distribuição normal.

Quanto às técnicas de produção e análise de dados sob uma abordagem qualitativa, Martin Bauer e George Gaskell definem a necessidade de se captar e analisar valores, significados e aspectos simbólicos. Para isso, são adequados os estudos de caso, as entrevistas em profundidade, os grupos focais, as análises de conteúdo (que pode até flertar com a abordagem quantitativa), as análises de discurso e as etnografias. Essas são técnicas que aprofundam aquilo que é produzido no universo simbólico dos indivíduos e suas relações e interações.

Por fim, é sempre preciso dizer que as escolhas metodológicas devem estar relacionadas a um problema de pesquisa consistente e objetivos claros. Além disso, como fomenta Teresa Duarte, a possibilidade de “investigação a três” ou “triangulação metodológica”, sustentada em concepções ontológicas e epistemológicas bem discutidas, tende a auxiliar o avanço das Ciências Sociais.
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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Trinta e cinco verões

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Diante do espelho, olho no fundo dos meus próprios olhos: daqui a poucas horas, 35 verões.

Passo um café. Nele, observo minha história. Com 15 anos, apenas um garoto, conhecendo as loucuras da vida, e começando a gostar das palavras escritas.

Aos 25, todas aquelas certezas, projetos e a sede cada vez maior de viver. Muito amor. Os primeiros anos de docência. E também tantas ilusões.

Hoje, quase aos 35, sou feito de dúvidas e escolhas. Sol, mar, areia, carinhos, amores... o tempo livre a admirar a lua cheia do verão, ouvir histórias ou contar os pelinhos no corpo de quem assim me deseja.

O poeta tem razão: o tempo é um caminho só de ida. Chegarei aos 45? Não tenho ideia. Sei que a sede e a fome de viver crescem em intensidade. O papo é reto e em ebulição. E por que não?

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