SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 11

América do Sul, Brasil,

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Trinta e cinco verões

Bernardo Caprara
Sociólogo e Professor

Diante do espelho, olho no fundo dos meus próprios olhos: daqui a poucas horas, 35 verões.

Passo um café. Nele, observo minha história. Com 15 anos, apenas um garoto, conhecendo as loucuras da vida, e começando a gostar das palavras escritas.

Aos 25, todas aquelas certezas, projetos e a sede cada vez maior de viver. Muito amor. Os primeiros anos de docência. E também tantas ilusões.

Hoje, quase aos 35, sou feito de dúvidas e escolhas. Sol, mar, areia, carinhos, amores... o tempo livre a admirar a lua cheia do verão, ouvir histórias ou contar os pelinhos no corpo de quem assim me deseja.

O poeta tem razão: o tempo é um caminho só de ida. Chegarei aos 45? Não tenho ideia. Sei que a sede e a fome de viver crescem em intensidade. O papo é reto e em ebulição. E por que não?

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