SOCIOLOGIA & OPINIÃO / ANO 9

América do Sul, Brasil,
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Antes de iniciar a navegação pelo blog, considera-se crucial para uma boa compreensão dos seus conteúdos a leitura atenta do esclarecimento abaixo.

Os objetivos do blog transitam entre a informação e o conhecimento. Isso significa compartilhar materiais que, por vezes, vão se aproximar ou mesmo pertencer ao campo científico da Sociologia; por outro lado, é importante sublinhar que não existe ambição de equiparar-se a uma revista científica, de ordem acadêmica. A ambição aqui é seguir como um espaço de divulgação da Sociologia e do pensamento social, em contato reflexivo com a realidade da vida coletiva contemporânea. 


Cabe dizer que este espaço tem a função paralela de ofertar uma ferramenta de apoio ao ensino de Sociologia, seja no âmbito da Educação Superior, da educação Técnica/Profissionalizante ou da Educação Básica. Com a velocidade da transformação e da disseminação das novas tecnologias, sobretudo com o alcance da internet, o ensino das ciências, a sua produção e divulgação não podem ficar de fora de um universo tão profícuo para a disseminação de conhecimentos.

Neste espaço o conteúdo é valorizado, a leitura e o argumento. A linha editorial pode ser definida como crítica, reflexiva, voltada para o protagonismo e a soberania dos povos, segura da beleza do devir democrático e do equívoco que constitui a intolerância, o preconceito e o autoritarismo. A crença na harmonia entre liberdade e equidade de oportunidades, além da busca incessante pelo fim dos preconceitos, enquanto possibilidades de reconfigurações civilizacionais que se relacionem entre si e com o planeta de maneira sustentável e integrada.

Sabe-se que a Sociologia está repleta de correntes e matrizes de pensamento. As considerações de Carlos Benedito Martins (1994, p. 3) elucidam bem essa prerrogativa:

A sociologia constitui um projeto intelectual tenso e contraditório. Para alguns ela representa uma poderosa arma a serviço dos interesses dominantes, para outros ela é a expressão teórica dos movimentos revolucionários [...] A sociologia, desde o seu início, sempre foi algo mais do que uma mera tentativa de reflexão sobre a sociedade moderna. Suas explicações sempre contiveram intenções práticas, um forte desejo de interferir no rumo desta civilização. Se o pensamento científico sempre guarda uma correspondência com a vida social, na sociologia esta influência é particularmente marcante. Os interesses econômicos e políticos dos grupos e das classes sociais, que na sociedade capitalista apresentam-se de forma divergente, influenciam profundamente a elaboração do pensamento sociológico.

Frédéric Vandenberghe (2011, cap. 6), por sua vez, define alguns caminhos interessantes, quanto a questões centrais da Sociologia, considerações de caráter ontológico e epistemológico:

Os sociólogos devem defender o projeto da sociologia e declarar a autonomia relativa do seu objeto. O que é requerido é ousadia ontológica: fatos sociais realmente existem. (...) Como sociólogos, não podemos operar sem predicados coletivos, mas também que estes predicados não se referem apenas a "representações coletivas" e sim a entidades coletivas (estruturas, sistemas, mecanismos coletivos etc.) que existem de modo relativamente independente das crenças e ações individuais e possuem poderes causais emergentes e irredutíveis. A combinação entre a negação ontológica da existência de entidades coletivas e fatos sociais e a afirmação de sua pertinência (aplicabilidade) metodológica no que diz respeito à explicação sociológica de ações individuais não parece consistente para um sociólogo, levando diretamente a uma contradição performativa: não se pode ser sociólogo e negar, ao mesmo tempo, a possibilidade mesma da sociologia como uma ciência relativamente autônoma.

A Sociologia tem a tarefa de carregar a preocupação de uma vigilância epistêmica e metodológica, isto é, um constante exercício reflexivo numa prática científica capaz de entender, compreender, interpretar ou explicar a fundo as sociedades modernas. Trata-se de um exercício tenso e desafiador. Contudo, não significa que o pesquisador/professor pode ou deve ser "neutro", uma categoria imprecisa, ou não deve desenvolver posicionamentos pessoais acerca de temas políticos, ideológicos, morais, religiosos e etc.

Há de se pensar, isso sim, na esteira de uma conduta democrática, a necessidade de estar aberto ao diálogo e ao argumento, dedicados à fuga dos fanatismos e dos fundamentalismos. Assumir o compromisso de pensar e agir desconfiando à influência dos processos de poder e dominação em curso, além de procurar identificar e fomentar alternativas para as desigualdades diversas, as opressões e dominações persistentes no nosso século. Do ponto de vista pedagógico, pode ser interessante lembrar as palavras do professor Paulo Freire (2010, p. 130/131):

O progresso científico e tecnológico que não responde fundamentalmente aos interesses humanos, às necessidades de nossa existência, perdem, para mim, sua significação [...] Assim como não posso usar minha liberdade de fazer coisas, de indagar, de caminhar, de agir, de criticar para esmagar a liberdade dos outros de fazer e de ser, assim também não poderia ser livre para usar os avanços científicos e tecnológicos que levam milhares de pessoas à desesperança. Não se trata, acrescentemos, de inibir a pesquisa e frear os avanços, mas pô-los a serviço dos seres humanos. A aplicação de avanços tecnológicos com o sacrifício de milhares de pessoas é um exemplo a mais de quanto podemos ser transgressores da ética universal do ser humano e o fazemos em favor de uma ética pequena, a do mercado, a do lucro.

Dito tudo isso, para o melhor acesso aos conteúdos deste blog, os marcadores temáticos localizados à direita da tela delimitam os tipos de materiais disponíveis. Postagens com os marcadores "SOCIOLOGIA" ou "CIÊNCIAS SOCIAIS" restringem-se a abordagens mais fieis ao contexto da produção sociológica no meio acadêmico. As postagens aglutinadas nesse grupo estão dentro da pretensão de compartilhar pesquisas, ensaios e ideias interessantes para o crescimento do conhecimento sociológico do leitor.

Há, ainda, muitos conteúdos situados no âmbito de um exercício reflexivo mais amplo e aberto, orientados por uma miríade de marcadores diversos. Comentários sobre autores, devaneios sobre os trópicos. Ensaios e escritos paralelos ao ofício principal do editor deste blog, flertantes com uma espécie vira-lata de sociologia popular cotidiana. Uma narrativa do mergulho diário nas ruas, nas instituições, nos espaços públicos e privados vivenciados. Uma leitura da vida social em pequena escala. 

Por fim, sem dúvidas, o objetivo deste blog é levar um pouco do pensamento sociológico ao público geral, independente dos predicados que os leitores possuam.

REFERÊNCIAS

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 2010. Páginas 130-131.

MARTINS, Carlos Benedito. O que é sociologia. São Paulo: Brasiliense, 1994. Página 3.

VANDENBERGHE, Frédéric. Uma ontologia realista para a sociologia. In: Teoria Social Realista - Um diálogo franco-britânico. Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 2011. Capítulo 6.



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Bernardo Caprara / Sociólogo e Professor / CV Lattes